Doutorado em Biotecnologia

Teses defendidas

+ Purificação, Caracterização E Avaliação da Atividade Antitumoral De Uma Fosfolipase A2 Da Serpente Bothrops moojeni
  • Discente:
    • BRENO EMANUEL FARIAS FRIHLING
  • Orientador(a):
    • Ludovico Migliolo
  • Resumo:

    O setor de saúde tem o enorme desafio de desenvolver terapias anticâncer mais eficientes. A natureza apresenta um amplo repertório de biomoléculas com potencial farmacológico, incluindo proteínas de animais peçonhentos. Dentre os componentes proteicos dos venenos de serpentes, as fosfolipases (PLA2) possuem uma grande importância para o desenho de novos compostos anticâncer. Com isso, o objetivo do presente trabalho foi purificar, caracterizar e avaliar as propriedades anticâncer de uma PLA2 isolada do veneno de Bothrops moojeni. A PLA2 do veneno bruto de B. moojeni foi purificada por meio de três etapas cromatográficas, nas colunas Sephacryl S-100 e RP-HPLC C18, monitoradas por atividade enzimática e SDS-PAGE (12%). A B. moojeni PLA2 (BmPLA2) teve a massa molecular e a sequência N-terminal identificadas por espectrometria de massa e degradação de Edman, respectivamente. A BmPLA2 foi testada contra células de adenocarcinoma colorretal epitelial humano (Caco- 2), células de rabdomiossarcoma humano (RD) e carcinoma mucoepidermoide do pulmão (NCI-H292), usando células de fibroblastos humanos (MRC-5) e células da microglia (BV-2) como controle da citotoxicidade, onde todas as células foram avaliadas nas mesmas concentrações (0,3 - 9,2 μM). A BmPLA2 apresentou 13.836 Da, e sequencia primária homologa com semelhança de 90% com a outra PLA2 da mesma espécie. A BmPLA2 exibiu um IC50 de 0,6 µM contra Caco-2 e 0,097 µM contra RD, apresentando um índice de seletividade de 1,85 e 11,23 (em comparação com MRC-5), 6,33 e 38,27 (em comparação com BV-2). Assim, descrevemos uma nova aplicação biológica para a BmPLA2, que dá suporte ao entendimento de novos mecanismos de ação assim como o desenvolvimento de novos fármacos a base da estrutura dessa isoforma.

  • Data da Defesa: 20/08/2021
+ Parasitismo por Leishmania infantum e Trypanosoma cruzi marinkellei em Morcegos filostomídeos em Campo Grande, Mato Grosso do Sul: uma abordagem tecidual
  • Discente:
    • Alanderson Rodrigues da Silva
  • Orientador(a):
    • Heitor Miraglia Herrera
  • Resumo:

    Morcegos são hospedeiros de diversas espécies de tripanossomatídeos com destaque para as espécies de Leishmania e as espécies do clado Trypanosoma cruzi, frequentemente relatadas em morcegos no Brasil. Embora observadas em todos os biomas, em ambientes silvestres e urbanos, estudos sobre este tema restringem-se a isolamento e detecção molecular. O objetivo deste trabalho foi descrever os aspectos relacionados ao parasitismo por Leishmania infantum e Trypanosoma cruzi marinkellei em morcegos filostomídeos, capturados na área urbana de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. No primeiro capítulo foi investigado a infecção de dez indivíduos da espécie Artibeus planirostris e seis indivíduos de Carollia perspicillata positivos para Leishmania infantum por PCR em tempo real. Fragmentos de baço, fígado e pele foram submetidos às técnicas histológicas e imunohistoquímicas e ambos os grupos, positivo e negativo, não apresentaram diferenças em relação ao microambiente tissular. O fígado e a pele apresentaram reações inflamatórias leves. O exame histopatológico revelou que os animais positivos para L. infantum não apresentavam formas amastigotas nos tecidos. O segundo capítulo avaliou o parasitismo por Trypanosoma cruzi marinkellei em A. planirostris no baço, fígado, pele, coração e músculo esquelético. Quarenta e nove A.
    planirostris foram capturados e dez apresentaram infecção por T. cruzi marinkellei, identificada por hemocultura e sequenciamento de DNA. Os morcegos apresentavam reações inflamatórias leves e pequenas alterações teciduais. Formas evolutivas do parasita não foram observadas nos tecidos estudados. Considerando os resultados deste estudo associados aos mecanismos idiossincráticos da fisiologia dos morcegos, podemos sugerir que esses mamíferos voadores desempenham um importante papel na ecoepidemiologia de L. infantum,atuando como um hospedeiro dead-end. Ainda, indivíduos da espécie A. planirostris apresentaram uma associação peculiar com T. c. marinkellei, em que uma evidente
    parasitemia esteve associada inflamações teciduais leves e inespecíficas. Os resultados apóiam a hipótese de que tripanossomas do novo mundo e morcegos neotropicais têm uma relação recente.
    Palavras-Chave: Chiroptera, Morcego, Patologia, Tripanossomatídeo, Centro-Oeste

  • Data da Defesa: 13/08/2021
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+ Avaliação da Modulação da Expressão dos Genes de Resistência ERG e CDR em Isolados Clínicos de Candida tropicalis Susceptíveis e Resistentes ao Fluconazol e Itraconazol Campo Grande
  • Discente:
    • DÉBORA CARDOZO BONFIM CARBONE
  • Orientador(a):
    • João Santana da Silva
  • Resumo:

    As emergências relacionadas a Candida tropicalis como patógenos humanos pode estar associada ao grau de comorbidade dos pacientes, as intervenções a que foram submetidos e os medicamentos usados. O desenvolvimento de novas pesquisas sobre técnicas de diagnóstico, fatores de resistência e virulência poderão contribuir para a introdução de ações em saúde quando se tratar de infecções ocasionadas por C. tropicalis, no intuito de orientar e oferece subsídios para a adequação das práticas de cuidado junto a esses pacientes. Entretanto, pouco se sabe sobre os mecanismos de resistência a medicamentos nas infecções por C. tropicalis. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi avaliar a modulação da expressão dos genes de resistência ERG-3, ERG-6, ERG-11, CDR-1 e CDR-2 susceptíveis ou resistentes ao itraconazol e ou fluconazol em isolados clínicos de C. tropicalis. Neste estudo, realizado por meio da análise de isolados clínicos de C. tropicalis, foram isolados de diferentes sítios de pacientes atendidos no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, durante os anos de 2014 e 2015. As cepas C. tropicalis armazenadas, foram semeadas em meio de cultura ágar Sabouraud correspondentes a 16 pacientes e 21 cepas, Neste estudo, utilizaram-se isolados clínicos de C. tropicalis susceptível e resistentes ao fluconazol ou ao itraconazol para avaliar a relação entre a resistência a estes fármacos e a expressão dos genes da bomba de efluxo e genes ERG. Os resultados mostraram que o principal mecanismo de resistência e relação ao fluconazol e o itraconazol dessa espécie é por meio da regulação positiva do ERG ao invés dos genes da bomba de efluxo. Demonstrou-se que, embora o pré-tratamento com medicamentos de azóis aumenta a expressão de ambos ERG-6 e ERG-11 genes, nas amostras de isolados clínicos resistentes ou susceptíveis eles são capazes de manter elevados níveis de expressão destes genes por um longo período do que as susceptíveis.

  • Data da Defesa: 09/10/2020
+ Estratégias de Planejamento Racional e Avaliação In Vitro de Peptídeos Sintéticos Análogos a Piscidina
  • Discente:
    • Osvaldo Nunes Barbosa
  • Orientador(a):
    • Ludovico Migliolo
  • Resumo:

    Os peixes desenvolvem peptídeos antimicrobianos (PAMs) como parte da sua defesa inata e devido a isso são de grande interesse para o desenvolvimento de moléculas bioativas. Objetivamos o desenho racional de peptídeos com características multifuncionais a partir do ecPis-2 da Epinephelus coioides. Duas estratégias foram realizadas para a construção de sete peptídeos. A primeira foi a mudança pontual de aminoácidos mantendo 70% das características originais e a segunda foi por fragmentação enzimática in silico. Dentre os resultados obtidos, o crescimento de K. pneumoniae KPC foi inibido na presença do ecPison-1 na concentração de 64 μg.mL-1. Nas concentrações de 512 μg.mL-1 ecPison-3 e -4 foram bactericidas para E. coli ATCC. Em adição, ecPison-5, -6 e -7 inibiram E. coli ATCC na concentração 128 μg.mL-1 para todos os peptídeos. E. coli KPC e S. aureus sofreram inibição na presença do ecPison-6 nas concentrações de 4 e 128 μg.mL-1 respectivamente. Somente o ecPison-7 apresentou atividade inibitória sobre biofilme de A. baumannii na concentração de 64 μg.mL-1. Todos os peptídeos não foram hemolíticos nas concentração máxima testada (512 μg.mL-1). Os ensaios antitumorais dos ecPison-4, -6 e -7 foram citotóxicos em todas as concentrações testadas frente à linhagem celular Caco-2. Para a linhagem tumoral NCI-H292 na concentração de 256 μg.mL-1 o ecPison-4 e -7 foram citotóxicos e citostáticos. Enquanto que para a linhagem fibroblástica MRC-5, ecPison-4 e -7 apresentaram atividade citostática nas concentração de 256 μg.mL-1 testadas e ecPsion-6 foi citotóxico apenas na concentração de 256 μg.mL-1. O ecPison-7 foi seletivo contra Caco-2, com índice de 6,46, demonstrando ter potencial antitumoral. Concluindo, fica evidente o potencial de todos os peptídeos sintéticos, sendo o análogo ecPison-7 o mais promissor.
    Palavras chave: Peixe, peptídeo, antimicrobiano, bactéria, células tumorais.

  • Data da Defesa: 18/09/2020
+ Tripanossomatídeos Associados a Morcegos em Remanescentes Florestais de Cerrado na Região Urbana de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil
  • Discente:
    • JAIRE MARINHO TORRES
  • Orientador(a):
    • Carina Elisei de Oliveira
  • Resumo:

    Morcegos podem albergar diversos parasitos, porém essas associações parasito-hospedeiro são pouco exploradas até mesmo em áreas endêmicas para diversas doenças (ex. Leishmaniose e Doença de Chagas). No presente trabalho avaliamos a diversidade de tripanossomatídeos dos gêneros Leishmania e Trypanosoma em morcegos e a estrutura da comunidade dos hospedeiros quirópteros em remanescentes florestais da região urbana e periurbana de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Realizamos 56 noites de amostragem de junho de 2017 a janeiro de 2018, registrando 445 morcegos de 14 espécies. As espécies mais abundantes foram Artibeus planirostris (26,7%), Artibeus lituratus (26,1%) e Carollia perspicillata (13,7%), todas consideradas comuns no município, resultando ainda na maior proporção de frugívoros (88,4%). Não observamos índícios de reprodução sazonal, com fêmeas prenhas das espécies comuns em quase todo o período amostrado. Nenhuma espécie apresentou diferença na razão sexual, e somente A. lituratus (U = 0; p < 0.01) e A. planirostris (U = 8.5; p < 0.05) apresentaram maior proporção de adultos em suas populações. Avaliamos a resposta da comunidade de morcegos quanto à variação de três classes de paisagem (área impermeável, área florestal e vazios urbanos), mas nenhuma apresentou influência sobre a comunidade de morcegos ou espécies abundantes. Dentre os animais capturados, 237 individuos de 12 espécies foram submetidos à detecção molecular de tripanossomatídeos. A prevalência de Trypanosomatidae em morcegos foi de 38,4% (91/237) e a comparação de suas sequências por análise no BLATSn indicou a ocorrência de Leishmania amazonensis, Leishmania infantum, Trypanosoma cruzi (TcI), Trypanosoma cruzi marinkellei, Trypanosoma dionisii, Trypanosoma janseni e um Trypanosoma sp. filogeneticamente próximo aos tripanossomatídeos que ocorrem em morcegos Neotropicais. As interações parasito-hospedeiro não apresentaram padrões de associação, com parasitos associados a diversas espécies de hospedeiro. A espécie L. infantum foi associada às diversas espécies de hospedeiros e sua prevalência está correlacionada à abundância de morcegos em cada área (r = 0,20, p = 0,66). Várias das associações parasito-hospedeiro são observadas pela primeira vez no Mato Grosso do Sul ou Cerrado, e a prevalência de espécies como L. infantum ressalta o potencial de morcegos no seu monitoramento em áreas urbanas.
    PALAVRAS-CHAVE: Chiroptera, Leishmania, Detecção molecular, Parasitos, Trypanosoma.

  • Data da Defesa: 15/09/2020
+ UTILIZAÇÃO DE PLANTAS NA MEDICINA TRADICIONAL: Etnofarmacologia da Etnia Ikólóéhj na Aldeia Cacoal, Ji-Paraná – Rondônia e Investigação das Propriedades Farmacológicas da Eleutherine plicata Amazoniense
  • Discente:
    • ALEXANDRE ZANDONADI MENEGUELLI
  • Orientador(a):
    • Susana Elisa Moreno
  • Resumo:

    As plantas têm sido amplamente utilizadas para tratar muitas doenças, especialmente pelas comunidades tradicionais indígenas, o que pode ser considerado uma importante fonte de conhecimento empírico sobre o potencial medicinal da biodiversidade brasileira. Este estudo teve como objetivo investigar o uso de plantas medicinais por uma comunidade indígena na Amazônia chamada Ikólóéh, assim como identificar o potencial biológico da espécie vegetal Eleutherine plicata através dos estudos farmacognósticos, potencial de citotóxico, antimicrobiano, anti-inflamatório através dos extratos metanólico e hexânico. Os dados etnofarmacológico foram obtidos com base em entrevistas semiestruturadas e visitas de longo prazo em toda a área indígena para coletar material botânico para posterior identificação e armazenamento em um herbário. Enquanto que para as atividades biológicas utilizou-se os seguintes métodos: os extratos foram produzidos utilizando bulbos da espécie E. plicata com solventes hexano e metanólico conforme descrição da Farmacopeia Brasileira. Na identificação de metabolitos secundários, foram utilizados os métodos colorimétricos. Os extratos foram submetidos a testes in vitro e in vivo. No ensaio citotóxico, a hemólise foi determinada através das concentrações de 150 a 2.34 μg / mL-1. Na avaliação antitumoral foram utilizadas células do turmor ascético de Ehrlich, sendo a viabilidade celular determinada pelo método colorimétrico de MTT pelo período de 24 e 48 horas, com uma diluição em série de 1024 a 1 μg /mL-1. A atividade antimicrobiana foi avaliada através da metodologia de difusão em disco, com uma diluição seriada de 1024 a 16 μg / mL-1.. A atividade anti-inflamatória foi avaliada pelo método de migração de neutrófilos e testada nas concentrações de 1; 5 e 15 mg / kg-1. No presente trabalho, identificou-se 23 espécies de plantas e três morfoespécies, distribuídas em samambaias / licófitas e angiospermas. Além disso, mostrou-se que folhas (78%), casca (13%) e raízes (9%) foram utilizadas para maceração (49%), uso tópico (26%), infusão e banho (13%) e decocção (9 %). Essas plantas foram usadas para tratar dor, diarreia, desnutrição, infecções parasitárias, feridas e picadas de cobra. Também observou-se que o conhecimento sobre plantas medicinais foram compartilhado com os membros mais velhos da comunidade e que as informações são transmitidas oralmente para as próximas gerações. Para os testes farmacognósticos foi possível identificar a presença de taninos, glicosídeos de antraquinona e glicosídeos de flavonídeos. Enquanto no ensaio citotóxico foi observado a hemólise nas concentrações de 150 a 75 μg / mL-1 nos dois extratos avaliados; mostraram redução da viabilidade nas maiores concentrações testadas nos dois momentos analisados. A atividade antimicrobiana apresentou inibição significativa no extrato metanólico para E. coli nas concentrações de 1024 a 16 μg / mL-1 . Não houve atividade anti-inflamatória para as concentrações avaliadas nos extratos hexânico e metanólico de E. plicata. Assim, o presente estudo contribui para o crescimento e preservação do conhecimento sobre o uso de plantas medicinais, fornecendo subsídios importantes para a compreensão das propriedades terapêuticas das plantas amazônicas. Ambos os extratos apresentaram uma redução de 70% na viabilidade celular e no ensaio citotóxico. Como esse estudo foi realizado com células tumorais, se desperta o interesse na investigação antitumoral, que é um resultado promissor, entre os testes realizados. Palavras-chave: Biodiversidade brasileira. Plantas amazônicas. Comunidades tradicionais. Eleutherine plicata. Propriedades farmacológicas.

  • Data da Defesa: 02/06/2020