Pesquisa da UCDB avalia produção de tenébrios como fonte alimentar para animais

21/11/2022 - 8:11 - Graduação

Fonte: Gilmar Hernandes

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Um projeto de pesquisa do curso de Zootecnia, em parceria com os cursos de Nutrição e Gastronomia, liderado pelos professores Rodrigo Gonçalves Mateus (Zootecnista) e Lucas Castro Torres (Agrônomo e Entomologista) com auxílio de seis acadêmicos, estão criando insetos na Fazenda-Escola da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), conhecidos como tenébrios (Tenebrio molitor ), para serem utilizados como alimento para animais e para o consumo humano.

Os insetos para o início da criação massal foram adquiridos em uma empresa credenciada, e para a realização da pesquisa foi concedida licença pelo ICMBio (SISBIO). A ideia do projeto surgiu por meio de uma disciplina do curso de Zootecnia, chamada ‘Produção de insetos’. “Em um ano, com o resultado da primeira etapa da pesquisa concluiu-se que o DDG [Dried Distillers Grains – Grãos Secos de Destilaria] apresenta potencial de uso na alimentação dos tenébrios. Agora, vamos trabalhar com várias opções de alimentação e avaliar também a produção de ração”, destaca o professor Lucas Torres.

Ele ressalta que o trigo ainda é a opção mais viável, visto que o DDG era muito barato, mas ao passar a ser utilizado pelos produtores na alimentação bovina, acabou elevando o preço do produto. “Estamos testando diferentes tipos de alimentos para tentar diminuir o custo de produção, e avaliar o desenvolvimento dos insetos e sua composição nutricional com as diferentes dietas. No ano passado foi com DDG, que é um resíduo do beneficiamento de milho. Agora vamos trabalhar resíduos de fecularias de mandioca, quirera de arroz, sorgo e milheto, assim vamos verificar a influência dessas dietas na composição nutricional das larvas, como por exemplo, os níveis de proteína, lipídeos e fibras. Também avaliamos a questão da produção de ração, trabalhando também como potencial de uso para animais do pantanal”, completa o professor.

A pesquisa também possibilita novas descobertas ao acadêmico, como é o caso da acadêmica do 6º semestre de Zootecnia, Pollyana Carpes Ramos dos Santos. “A gente consegue ter uma nova visão da profissão, pois na maioria das vezes pensamos em animais grandes para trabalhar e aqui a gente consegue ver outras fontes de proteínas e alternativas de alimentos”.

Segundo o professor, o custo de produção ainda não foi definido. “Mas o que a gente tem certeza é que o produtor que utilizar a larva como fonte alimentar para produzir a ração consegue ter um ganho muito interessante, isso baseado em experiências de outros países, ganhando em qualidade de proteína e a digestibilidade da larva que vai compor a ração. Além de outro diferencial: ocupa pouco espaço de produção, pouco consumo de água, seus resíduos podem ser utilizados como adubo orgânico, e por ser riquíssimo no ponto de vista nutricional, reforça.

Outra parte do estudo será avaliar o uso de diferentes quantidades de farinha de tenébrio em massa de macarrão, fazendo um teste sensorial de aceitação e de compra com os consumidores. O produto não é indicado para quem tem alergia a camarão.

Além dos experimentos científicos, os integrantes do projeto também utilizaram a farinha de tenébrio para preparar a massa de esfirra aberta de carne bovina, brigadeiro e petiscos salgados para a degustação na apresentação da pesquisa.

Criação

Os insetos são criados em uma temperatura entre 25 e 30 graus e totalmente no escuro, são alimentados com o substrato de trigo, trocado a cada 15 dias, já que o material que sobra são húmus (fezes), que por sua vez serve como adubo para as plantas. Eles recebem ainda como fonte de hidratação, já que não bebem água, porções de chuchu em até três vezes por semana.

Assim que os insetos depositam os ovos (levam um dia apenas), eles são remanejados para outro recipiente. Chegando ao ponto de abate em até quatro meses, são peneirados, ficam 24 horas em jejum para limpar o trato digestivo (no caso do consumo humano), depois vai para o congelador para insensibilizar o inseto, passando posteriormente por água fervente e depois vai para a estufa para desidratar, sendo utilizado para a alimentação humana e animal.

Do inseto adulto é preciso separar individualmente alguns exemplares, pois ao longo do tempo (6 a 7 meses) eles vão envelhecendo e não reproduzem mais.

No primeiro ano de produção foi feito um abate com um quilo de larvas a cada 15 dias, ou seja, 24 abates em um ano. Para isso foi preciso um saco de substrato de trigo por mês (R$ 60) e mais 10 quilos de chuchu por mês (R$ 30,00). O quilo da larva desidratada de tenébrio comercializada custa em média de R$ 300 a R$ 500.

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