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Arquiteta descendente de Tia Eva participa do projeto para restaurar Igreja São Benedito

03/09/2020 - 7:00 - Graduação

Fonte: Silvia Tada

Rayssa Almeida da Silva formou-se em Arquitetura na UCDB

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Quando dominamos um assunto ou temos familiaridade com ele, tudo fica mais fácil: o diálogo, a percepção dos detalhes, as características, a defesa do ponto de vista. Em Campo Grande, uma arquiteta recém-formada pela Universidade Católica Dom Bosco terá uma oportunidade única: participar do projeto de restauração de um patrimônio cultural municipal da qual faz parte: a Igreja de São Benedito, localizada na comunidade Tia Eva.

Rayssa Almeida da Silva, de 25 anos, é descendente de Tia Eva — escrava alforriada que, em 1905 instalou-se na região onde hoje é o bairro Jardim Seminário, e fundou um quilombo. Foi graças a uma promessa de Eva Maria de Jesus que a igreja em homenagem a São Benedito foi erguida e, hoje, um grupo de profissionais trabalha para restaurar a edificação.

O projeto é do Fundo Municipal de Investimento Cultural, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Em uma das reuniões, Rayssa foi “descoberta” pela equipe. “Sou integrante da associação de moradores e participei de uma oficina de co-criação do projeto. Depois disso, fui convidada a integrar a equipe. Somos em quatro profissionais de Arquitetura, um engenheiro e uma estagiária”, afirmou. Atualmente, eles trabalham no levantamento de informações para identificação e conhecimento do imóvel. “A primeira construção foi de taipa; só depois é que foi reconstruída de alvenaria. Queremos saber quais se as características originais foram mantidas, se houve outras intervenções. Vamos em busca de documentos, mas principalmente das entrevistas com os anciãos da comunidade: os descendentes diretos de Tia Eva, que sonham com a valorização da história e que ela seja conhecida por todos da cidade e do Estado”, detalhou Rayssa.

Formação

A jovem formou-se em 2019 pela UCDB e descobriu na graduação uma grande paixão: “Ouvi o conselho da minha mãe e fui cursar Arquitetura e me encontrei. O curso é muito bom e me encantei pela parte humana: você está ajudando a pessoa a realizar um sonho”.  

O orientador de seu trabalho de conclusão de curso (TCC) foi o professor Alessandro Campos. Segundo ele, enquanto acadêmica, Rayssa já se destacava pelo olhar humanista. “Ela sempre demonstrou grande interesse em trabalhar a arquitetura de modo humano, sempre se preocupando com a utilização do edifício pelo homem. Ao mesmo tempo, ela tem um olhar técnico, consciente, para contribuir com a memória de seu povo de forma ativa, que é o mais importante. O patrimônio, por mais que pareça que ele está estacionado, ele precisa ser ativo, ter vida, para funcionar. Já estávamos fazendo um trabalho de pesquisa com o curso de Psicologia com a comunidade Tia Eva e o projeto de restauração da igreja vem complementar esses estudos”.

A coordenadora do curso de Arquiteture e Urbanismo da UCDB, Ana Claudia Marques, ressalta a importância de profissionais da área na preservação do patrimônio histórico: “A área do patrimônio cultural é riquíssima e demanda estudos sobre história, técnicas construtivas, valores, memórias. Apesar de vivermos em um país que investe pouco na preservação do patrimônio, faz falta no campo de trabalho profissionais capacitados para tal. Como a cultura do novo ainda é mais forte em nossa sociedade, o arquiteto e urbanista tem ainda mais compromisso do que apenas restaurar as estruturas da edificação. Faz-se urgente e necessário mostrar que conservar o patrimônio é dar voz a história de um povo e trazer aquele novo local vida nova e utilidade”.

 

 

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