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24/03/2026

Professora de Direito da UCDB fala sobre feminicídio em evento no TRT-MS

Fonte: Silvia Tada

O feminicídio não deve ser compreendido como um evento isolado, mas como o resultado de uma estrutura que cruza racismo, machismo e desigualdade econômica. A análise foi apresentada pela professora de Direito da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e presidente da Liga Feminina do Direito, Maria Teresa Casadei, durante o evento “Violência Doméstica e Feminicídio: prevenção, proteção e responsabilidade institucional”, realizado na última sexta-feira (20) pelo Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT-MS).

Participando do painel sobre interseccionalidade, a docente destacou que mulheres negras, pobres e residentes em periferias ou no interior enfrentam maior vulnerabilidade. Segundo a professora, essa exposição acentuada deve-se tanto à estrutura social quanto à dificuldade de acesso a serviços de proteção.

Os dados apresentados no encontro reforçam a gravidade do cenário regional. Em 2024, Mato Grosso do Sul registrou cerca de 21 mil casos de violência contra mulheres. O levantamento aponta que o feminicídio atingiu 78% dos municípios do estado, sendo que 94% das ocorrências foram registradas no interior.

Alerta

O debate, promovido pelo Subcomitê de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade e pela Ouvidoria da Mulher do TRT-MS, também contou com a participação de magistrados e representantes do Ministério Público.

A promotora de justiça Clarissa Carlotto Torres classificou o feminicídio como o "último degrau na escada da violência", que geralmente começa com comportamentos de controle e violência psicológica. Dados nacionais citados pela promotora indicam que 37,5% das brasileiras (cerca de 21,4 milhões) sofreram algum tipo de violência entre 2024 e 2025.

O evento dedicou um bloco específico à responsabilidade dos homens no combate à violência de gênero. O juiz do trabalho André Luís Nacer de Souza, presidente da Amatra24, defendeu que o silêncio masculino diante de agressões é uma forma de omissão que precisa ser rompida.

Já o desembargador João Marcelo Balsanelli reforçou que o problema é estrutural e baseado em uma "construção equivocada da masculinidade", que naturaliza a dominação sobre a mulher. O encontro integrou as ações do mês de conscientização sobre os direitos das mulheres e contou com a parceria da OAB-MS e da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica.

Com informações e fotos do TRT-MS