Doutorado em Psicologia

Teses

+ VEIAS ABERTAS DO SOFRIMENTO PSÍQUICO: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO CUIDADO EM SAÚDE MENTAL
  • Discente:
    • ROSANGELA FERNANDES PINHEIRO NANTES
  • Orientador(a):
    • Márcio Luís Costa
  • Resumo:

    Este estudo é produto de investigação acerca das representações sociais de cuidado à pessoa com sofrimento psíquico, construídas por ela própria, pelo familiar cuidador e pela equipe multiprofissional de saúde dos Centros de Atenção Psicossocial III - CAPS III, no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial. Inserida no campo de estudo da Psicologia Social, as representações sociais são formas de conhecimento construídos e compartilhados socialmente, consideradas como produto do processo de assimilação da realidade externa ao pensamento e da estruturação psicológica e social, refletindo as realidades cotidiana de indivíduos ou comunidades no âmbito das relações sociais. Por estes aspectos, a investigação caracterizou-se por pesquisa de campo, do tipo exploratória, descritiva, com enfoque qualitativo, tendo por base epistemológica a Teoria das Representações Sociais de Sergio Moscovici. A investigação contou com a participação de cinquenta e duas pessoas, selecionados aleatoriamente dentre os seis CAPS III existentes no município de Campo Grande – MS. As informações foram coletadas por meio de diálogos narrativos gravados em mídia eletrônica, tendo como fonte de informações complementares questionário socioeconômico e diário de campo. Os diálogos com os participantes foram realizados em locais públicos (ruas, praças e paradas de ônibus), em residências e no âmbito institucional dos CAPS III. Mais do que simples entrevistas, os diálogos narrativos foram verdadeiras conversas com os participantes que não se limitaram a simplesmente responder às perguntas formuladas, mas sim, registrar depoimentos acerca da realidade cotidiana de todos os envolvidos no processo de cuidar e ser cuidado. A metodologia de análise foi baseada em modelo piramidal de construção e interpretação de narrativas, contemplando a identificação de senso comum, a identificação de processos de ancoragem e a objetivação definidas na teoria moscoviciana e o consenso coletivo indicativo das representações sociais construídas a partir dos diálogos narrativos individuais; além da demonstração das hipóteses de desiderabilidade e das hipóteses de desequilíbrio, reveladoras das estratégias compensatórias desenvolvidas pelos participantes do estudos para lidar com a representações sociais construídas. Os resultados demonstraram que o cuidado à pessoa com sofrimento psíquico é, na visão do familiar cuidador, uma tarefa difícil, árdua e diuturna, que demanda vigilância constante, empenho e dedicação, permeada de privações e renúncias de quem tem a missão de cuidar. Para o profissional de saúde, trabalhar o cuidado para este público-alvo é uma tarefa permeada de dificuldades, medo e frustrações por vários motivos, como preconceitos e mitos que envolvem a sofrimento psíquico, até a falta de condições adequadas de trabalho. Por fim, para a pessoa com sofrimento psíquico, o cuidado está ligado ao respeito a sua condição de humano, e à atenção por parte da sociedade e dos poderes públicos, em especial, a garantia de acesso e efetividade das ações e serviços preconizados pela Política Nacional da Saúde Mental.

  • Data da Defesa: 23/06/2022
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+ PSICOLOGIA CLÍNICA NO BRASIL: UMA BIOGRAFIA DE ELSO ARRUDA (1945-1985)
  • Discente:
    • ANA MARIA DEL GROSSI FERREIRA MOTA
  • Orientador(a):
    • Rodrigo Lopes Miranda
  • Resumo:

    Em meados do século XX, a Psicologia Clínica, e, particularmente, a Psicoterapia, se fortaleceram como práticas da Psicologia no Brasil. Registros históricos desvelam aspectos da conformação de tal campo, sobretudo pela presença de profissionais de diferentes áreas do Campo Psi – e.g., psiquiatras, psicólogos e psicanalistas –, os quais estariam envolvidos em controvérsias relativas aos aspectos legais, metodológicos, de aplicação, no intuito de solucionar problemas de ajustamentos. Essa pesquisa propõe a construção de uma narrativa historiográfica do campo Psi a partir de um de seus atores, a saber, Elso Arruda. Acreditamos que analisar os debates no campo Psi, sobretudo da personagem, propicia-nos revelar aspectos da conformação da Psicologia Clínica, no país. Metodologicamente, essa é uma investigação historiográfica, elaborada a partir do entroncamento da História, da História das Ciências e da História da Psicologia, com uso de estratégias do gênero biográfico e biografia contextualizada, por meio do emprego de ferramentas para ler os dados e os conceitos advindas da História das Ciências, da compreensão de circulação dos fatos científicos de Bruno Latour e controvérsias, advindas dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia – ESTC. Foram utilizados ainda, aspectos da pesquisa teórico-conceitual e, por fim, lançamos mão da História Oral. Para análise e interpretação das fontes primárias foi proposta a ideia de análise documental e o uso do software Iramuteq. Utilizamos como fontes primárias textuais produções de autoria de Elso Arruda publicadas nos três períodos de veiculação dos Arquivos Brasileiros de Psicologia; 06 livros de autoria de personagem, configurando o recorte temporal de 1940 a 1985; e acessamos o acervo digital brasileiro – Hemeroteca; além de fontes orais por meio da entrevista de cinco ex-alunos e colegas de trabalho de Elso Arruda quando diretor do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. As fontes sinalizam sua circulação no campo dos saberes Psi. Sugeriram ainda que já havia rumores sobre o anseio de uma reforma psiquiátrica na década de 1960 no Brasil. Parte desses debates apresentava uma discussão no campo da Psicologia Clínica como o eixo de intersecção entre os saberes Psi, a saber, Psiquiatria e Psicologia. Nessa perspectiva, as fontes sugerem influências das propostas da antipsiquiatria e do antidiagnóstico nos debates entre os saberes Psi, como também o uso da Antropologia e da Fenomenologia Existencial para “ler” o sujeito “desajustado”. Sinalizam também controvérsias entre dois modelos psiquiátricos produzidos da tensão entre psiquiatras que nominavam de “modernos”, na contramão dos que seriam “clássicos”, denominados por Arruda como modelo “psiquiátrico clássico” e modelo “moderna psiquiatria”. Identificamos um alargamento do modelo “psiquiátrico clássico” por parte de alguns psiquiatras envolvidos com o campo das práticas da clínica Psi, ao absorver aspectos psicológicos (subjetividade) e sociais. Tal alargamento produziu controvérsias também no campo da assistência à saúde mental, com foco na prevenção, reabilitação e promoção. Identificar essa expansão sinalizou aspectos da conformação da Psicologia Clínica como campo de atuação operando de forma auxiliar da atuação do psiquiatra, oferecendo métodos e técnicas psicológicas para diagnósticos e tratamento psiquiátricos. Por fim, a pesquisa permitiu inferir que a Psicologia clínica teve sua conformação relacionada diretamente com a práxis clínica da Psiquiatria.

  • Data da Defesa: 11/02/2022
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+ PERCURSO JURÍDICO NO PROCESSO HISTÓRICO (1930-1970)
  • Discente:
    • LOURDES ROSALVO DA SILVA DOS SANTOS
  • Orientador(a):
    • Rodrigo Gonçalves Mateus
  • Resumo:

    Esta tese lança luz historiográfica sobre processos legais relacionados à regulamentação da formação e profissão de psicólogo, no país. O processo legal culminou com a aprovação da Lei nº 4119/62, cuja origem ocorreu a partir da década de 1930 e finalizou na década de 1970, com a promulgação de documentos vinculados aos Conselhos de Classe. Assim, o objetivo foi o de descrever e analisar o trâmite legal da regulamentação da Psicologia, no Brasil, entre 1950 e 1962. Particularmente, identificamos atores sociais e controvérsias quanto a aspectos da formação e do exercício profissional, quando do trâmite e regulamentação da Lei nº 4.119/62. A pesquisa está lastreada em análise documental e as fontes primárias são, prioritariamente, documentos legais componentes do Dossiê Legislativo da referida lei. Os resultados obtidos sugerem embates em torno de dois eixos centrais: as funções do psicólogo e a qualidade de sua formação. O primeiro apareceu nas controvérsias relacionadas ao fazer clínico da Psicologia que, nas fontes pesquisadas, apareceu concorrente à atuação da Medicina e da Assistência Social. Ainda nessa seara, houve intensos debates sobre aqueles que seriam reconhecidos como psicólogos, a partir da promulgação da lei supracitada. Isso se devia, novamente, ao que seria estabelecido como função prévia vinculada, necessariamente, a tal profissão. O segundo eixo referia-se ao estabelecimento de um currículo que, a partir da delimitação do que o psicólogo poderia – ou não – fazer, instituir-se-ia a partir de um conjunto de disciplinas que oportunizasse a formação para sua futura atuação. Destarte, notase que a regulamentação veio atender às “necessidades sociais” brasileiras (e.g., racionalização do trabalho, problemas escolares etc.), além de responder às crescentes demandas daqueles que já ocupavam os campos de atuação eminentemente psicológicos.

  • Data da Defesa: 30/09/2021
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+ IMPACTOS DA IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA VIDA NO TRÂNSITO NA MORBIMORTALIDADE EM CAMPO GRANDE-MS (2011-2018)
  • Discente:
    • Renan da Cunha Soares Júnior
    • RENAN DA CUNHA SOARES JUNIOR
  • Orientador(a):
    • Heloisa Bruna Grubits Freire
  • Resumo:

    Os acidentes de trânsito têm se apresentado como um importante problema de saúde, em

    escala mundial. Em 2011, a Organização Mundial de Saúde (OMS) deflagrou a Década de

    Ação pela Segurança no Trânsito (DAST), em nível mundial, que se estendeu até o ano de

    2020. No Brasil, o Programa Vida no Trânsito (PVT) – principal enfrentamento à

    problemática dos acidentes trabalha de maneira intersetorial, seguindo o modelo preconizado

    pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e pela OMS, que supervisionaram as

    ações juntamente com o Ministério da Saúde. Campo Grande foi um dos cinco primeiros

    municípios do Brasil escolhidos para realizar a implantação do PVT, devido aos altos índices

    de mortalidade que apresentava no trânsito, no início da década de 2010. Como fatores de

    acidentes a sofrerem intervenção estão os comportamentos de risco expressos por meio do uso

    de velocidade excessiva/inadequada, condução de veículos posterior ao uso de álcool e o uso

    de motocicletas. Cada um dos fatores recebeu gerenciamento específico, com ações que

    incluíram, entre as várias atividades, iniciativas de educação, engenharia e fiscalização,

    focadas na resolução da problemática por meio da Estratégia de Proatividade e Parceria. O

    presente estudo teve como objetivo analisar os resultados longitudinais do PVT, em Campo

    Grande, desde a sua implantação, em 2011, até o ano de 2018.Assim, foi possível observar

    uma modificação estatisticamente significativa nas taxas de óbitos por 100 mil habitantes (de

    16,6 óbitos por 100 mil habitantes, em 2011, para 9,8 óbitos por 100 mil habitantes, em 2018)

    e razão de óbitos por 10 mil veículos (de 3,1 óbitos por 10 mil veículos, em 2011, para 1,5

    óbitos por 10 mil veículos, em 2018), atendendo aos objetivos traçados pela OMS no início da

    década. No entanto, houve uma exceção da efetividade nos índices de óbitos de mulheres e,

    também, dos acidentes graves, que não tiveram diferença estatisticamente significativa, no

    período estudado. Foi possível concluir a efetividade do PVT em reduzir a maioria dos índices

    de morbimortalidade no trânsito, pesquisados em Campo Grande, demonstrando a eficiência da ação intersetorial realizada.

     

  • Data da Defesa: 09/09/2021
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+ TEORIA DINÂMICA E ESTÉTICA: UMA NOVA INTERPRETAÇÃO DAS GARATUJAS
  • Discente:
    • EVELYN DENISSE FELIX DE OLIVEIRA
  • Orientador(a):
    • Sonia Grubits
  • Resumo:

    A fase dos rabiscos iniciais, ou das garatujas, não recebeu a mesma atenção dos estudiosos como os demais estágios do desenvolvimento do desenho. A teoria dinâmica e estética da evolução do desenho afirma que, na fase do rabisco expressivo, crianças menores de 4 anos já são capazes de expressar estados emocionais por meio das características de seus rabiscos. Os rabiscos podem conter o “traço bom”, caracterizado pelos traços arredondados e o “traço mau”, identificado por linhas grossas e traços quebrados. Objetivou-se demonstrar a relação entre estados emocionais e as características dos traços de crianças com faixa etária entre 24 e 48 meses, com base nos pressupostos da teoria dinâmica e estética por meio de pesquisa experimental, com abordagem de método misto (Qual + Quan). Como instrumento para a coleta de dados, utilizou-se de questionário sociodemográfico, observação estruturada e desenhos. A pesquisa foi realizada com crianças na faixa etária entre 24 e 48 meses, sendo 27 meninas e 13 meninos. Recorreu-se à exibição de uma animação com duração de 4’22” (quatro minutos e vinte e dois segundos), como estímulo em duas das três fases de realização de desenhos acromáticos e cromáticos. Incialmente, na fase 0, os desenhos foram realizados antes da apresentação da animação, sem a presença de nenhum estímulo; na fase 1, após a exibição da primeira parte da animação, que evidenciava o sofrimento do protagonista; e na fase 2, após a apresentação, parte da animação que narrava a alegria do pequeno pato ao encontrar sua mãe. Os desenhos foram classificados em relação ao sexo, idade, e características do rabisco: “Traço bom”, caracterizado pelo traço arredondado e o “Traço mau”, representado pelo traço quebrado, pressão no lápis e pontos de choque. A utilização predominante do “Traço mau” foi observada na fase 1, ocasião em que os desenhos foram realizados diante de um estímulo de frustração. De forma contrária, na fase 0, em que as produções foram realizadas sem a presença de estímulo, e na fase 2, em que os desenhos foram realizados após estímulo de gratificação, evidenciou-se a prevalência do “Traço bom”. Discrepância semelhante constatou-se em relação à observação estruturada em relação às fases do experimento em que se observou que as narrativas e a expressão não verbal das crianças apontaram a vivência de desconforto na Fase 1, e de conforto na fase 0 e 2. Na análise estatística, realizaram-se testes em relação às características dos traços do desenho (traço arredondado, traço quebrado, pressão no lápis e pontos de choque) produzidos nas três fases consecutivas (valendo-se do uso de lápis preto e lápis colorido). Utilizou-se do Teste de Qui Quadrado de McNemar, em que cada criança foi comparada com ela mesma. Os dados foram analisados de maneira comparativa, por estatística não-paramétrica (p≤0,05). Os testes estatísticos apontaram a ocorrência de alterações nas características dos traços utilizados pelas crianças no decorrer dos procedimentos, em que os traços arredondados foram mais frequentes nas fases 0 e 2, e os traços quebrados e com pontos de choque foram mais frequentes na fase 1. Diante do exposto, conclui-se que os traços que caracterizam o desenho da criança tomam forma de acordo com o que ela sente no momento, revelando uma relação direta entre o estado emocional e as características do traço. Palavras chave: Garatujas, Crianças de 2 a 4 anos, Estados emocionais, Desenvolvimento infantil

  • Data da Defesa: 30/08/2021
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+ FORMAÇÃO PARA O TRABALHO E OS IMPACTOS NO SUJEITO SOCIAL: UM ESTUDO A PARTIR DO ENSINO MÉDIO INTEGRADO AO TÉCNICO DO IFMS CAMPUS TRÊS LAGOAS
  • Discente:
    • SOFIA URT FRIGO
  • Orientador(a):
    • Luciane Pinho de Almeida
  • Resumo:

    O trabalho e a educação são atividades especificamente humanas, pois apenas o ser humano trabalha e educa para o desenvolvimento de suas potencialidades e satisfação de suas múltiplas necessidades. Trata-se, portanto, de uma relação indissociável, sendo o trabalho considerado um princípio educativo. Contudo, sob a sociedade capitalista, o trabalho é reduzido a mercadoria e não possibilita que o trabalhador se satisfaça e se realize nesse processo, que o desumaniza e o aliena. Do mesmo modo, a educação é reduzida a um dos fatores de produção para a ampliação do capital. No entanto, segundo a concepção progressista da Educação Profissional, dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, essa não é considerada apenas uma preparação técnica ou treinamento para determinada atividade no sistema produtivo, pois tem como fundamento político-pedagógico a formação humana integral do cidadão. Desse modo, esta pesquisa objetivou compreender os impactos sobre o sujeito social das exigências do trabalho no sistema capitalista e da formação para o trabalho em atendimento a tais exigências, tendo como foco a educação profissional do ensino médio integrado ao técnico, ofertado nos Institutos Federais. Para consecução desse objetivo, teve-se por objetivos específicos: apreender as concepções do modelo do ensino médio integrado ao técnico, ofertado nos Institutos Federais; verificar o modelo pedagógico que vem direcionando a organização da educação brasileira, especificamente para a formação dos trabalhadores; analisar as implicações nos sujeitos da educação profissional sob a perspectiva da formação integral do ensino médio integrado ao técnico, diante dos objetivos educacionais para atendimento das necessidades do sistema produtivo capitalista. Fundamentada na Teoria Sócio-histórica, esta pesquisa descritivaexplicativa de cunho qualitativo foi desenvolvida por meio dos procedimentos metodológicos de pesquisa bibliográfica e, também, por meio de um grupo focal, tendo como participantes estudantes cursando o último semestre do curso técnico integrado em eletrotécnica do Campus Três Lagoas do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul. Os resultados e suas análises indicaram que esse modelo de ensino forma estudantes-trabalhadores que refletem criticamente e percebem a exploração sofrida pela classe trabalhadora para atenderem às exigências do sistema produtivo vigente e o seu sofrimento decorrente dessa, ainda que sejam, a certo modo, emoldurados pelo processo educativo para as necessidades do mercado de trabalho do capitalismo contemporâneo em crise. Concluiu-se, portanto, que tal proposta, dentro de seus limites, possui elementos dos princípios de uma formação politécnica ou onilateral para as possibilidades de emancipação da classe trabalhadora.

    Palavras-chave: Subjetividade, Teoria Sócio-histórica, Capitalismo, Institutos Federais, Educação Profissional.

  • Data da Defesa: 30/07/2021
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+ TEM QUE BATER, TEM QUE MATAR, ENGROSSA A GRITARIA”: PSICANÁLISE E NECROPOLÍTICA
  • Discente:
    • Tatiana Teixeira de Siqueira Bilemjian Ribeiro
  • Orientador(a):
    • ANITA GUAZZELI BERNARDES
  • Resumo:

    Ribeiro, T. T. de S. B. (2021). “Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria”: Psicanálise e Necropolítica. (Tese Doutorado em Psicologia), Universidade Católica Dom Bosco - UCDB, Campo Grande, MS. Esta tese de doutorado tem como objetivo compreender como o preconceito se tornou uma espécie de reconhecimento de si e do outro e, a partir desse reconhecimento, também uma forma de vínculo entre os sujeitos. Propõe-se um entendimento das diversas formas de preconceito manifestadas de distintas maneiras no Brasil de hoje a partir da negação e exaltação das práticas preconceituosas que enlaçam a sociedade atual. Para tanto, busca-se compreender como o racismo se apresenta em nossa sociedade, estruturando-a e possibilitando suas manifestações tanto em cenas do cotidiano e na internet, quanto em expressões artísticas ou em políticas de Estado. O campo de análise da tese apoia-se na reflexão psicanalítica, articulada com o pensamento afrodiaspórico. Essa compreensão se faz a partir da questão de pesquisa: como a emergência de manifestações e práticas preconceituosas enlaçam uma grande parcela da população? A pesquisa segue um percurso metodológico apoiado na Psicanálise, utilizando falas, cenas, notícias e vídeos veiculados nas mídias sociais que apresentam formas de manifestação do preconceito e também algumas políticas públicas e estatísticas em nosso atual cenário. A pesquisa insere-se no Programa de Pós-graduação em Psicologia, com área de concentração em Psicologia da Saúde, especificamente na linha de pesquisa “Políticas públicas, cultura e produções sociais”. A linha de pesquisa permitiu considerar o racismo dentro de produções sociais que fazem parte do nosso presente e recaem sobre o modo como vivemos, e não apenas como uma questão que afeta a saúde individual. Trata-se, portanto, de uma questão coletiva. A partir de sua dimensão pública, o discurso preconceituoso passa a ter um status de ato ou atuação. Os atos violentos constituem-se em uma dimensão coletiva, afetando um número incontável de pessoas. O preconceito é uma manifestação do racismo em um país que se estrutura por uma necropolítica, ou seja, por formas de extermínio de certas vidas. No Brasil, em sua forma peculiar de tratar o racismo, de maneira geral, nega-se e ao mesmo tempo exalta-se a existência de manifestações ou atos preconceituosos, silenciando e minimizando as lutas de quem é, de algum modo, excluído. Conclui-se, assim, que o racismo, no seu arranjo pelo discurso do mestre e do capitalista, possibilita as diversas formas de preconceito formadoras de laço social.

    Palavras-chave: Racismo; Preconceito; Psicanálise, Laço social.

  • Data da Defesa: 18/06/2021
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+ DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA PSICOLOGIA NO BRASIL, AVALIAÇÃO DOS FATORES PSICOSSOCIAIS E IMPACTOS NA CAPACIDADE PARA O TRABALHO EM PSICÓLOGAS E PSICÓLOGOS
  • Discente:
    • FERNANDO FALEIROS DE OLIVEIRA
  • Orientador(a):
    • Liliana Andolpho Magalhães Guimarães
  • Resumo:

    A Psicologia no Brasil advém de contribuições heterogêneas para sua respectiva constituição, ao longo dessa jornada histórica, que influenciaram a conquista e o desenvolvimento da autonomia e regulamentação da profissão, por conseguinte, impactando na estruturação dos diversos campos de trabalho hoje existentes. Como são poucos os estudos e ações referentes à caracterização da profissão, e à saúde de psicólogas e psicólogos brasileiros, contar com a contribuição daqueles que estão atuando profissionalmente, se faz premente para entender a realidade do grupo ocupacional e os impactos da vida profissional nesses trabalhadores. Assim, a pesquisa objetivou: (i) apresentar antecedentes históricos que permitiram à Psicologia, ser-em-si, ciência e profissão no Brasil; (ii) descrever os impactos da constituição da ciência e da profissão na estrutura do trabalho em Psicologia; (iii) caracterizar o perfil sociodemográfico e ocupacional de psicólogas e psicólogos brasileiros; (iv) compreender os principais fatores psicossociais (de risco ou proteção) do trabalho em Psicologia no Brasil; e, (v) identificar as repercussões dos fatores psicossociais no trabalho e das características sociodemográficas na capacidade para o trabalho de profissionais de Psicologia no Brasil. O estudo foi conduzido no campo da Psicologia da Saúde Ocupacional e da abordagem da Psicossociologia do Trabalho, com método misto, por meio de revisões integrativas e estudos epidemiológicos. As análises quantitativas foram de corte transversal, com amostra da população de psicólogas e psicólogos Brasileiros, por meio da aplicação de protocolo online composto de três instrumentos (QSDO, COPSOQ e ICT). A tese foi construída em formato de artigos, sendo o primeiro uma revisão teórica para apresentar os caminhos desde a recepção e a percepção de saberes psicológicos até a constituição da regulamentação da Psicologia no Brasil. No segundo artigo foi realizada revisão integrativa para compreender o impacto desses caminhos na estrutura de trabalho na área – esses dois estudos apontaram que a Psicologia avançou e remodelou campos de atuação, ultrapassando limites da constituição original para atender demandas da sociedade. O terceiro artigo trouxe a caracterização do perfil sociodemográfico e ocupacional da profissão no Brasil, ressaltando a predominância feminina, uma média de idade superior a 41 anos, duas áreas de atuação com maior percentual de profissionais em ação: clínica e políticas públicas (social e saúde), e um crescimento constante do número de profissionais no Brasil. No quarto artigo, a investigação dos fatores psicossociais no trabalho em Psicologia no Brasil, destacou os principais fatores de risco à saúde: exigências quantitativas do trabalho, estresse, Burnout e conflito trabalho/família; e também fatores de proteção: possibilidades de desenvolvimento e significado do trabalho. Há diferenças nos fatores psicossociais entre Psicólogas/os Clínicos e Psicólogas/os Sociais e da Saúde. Por fim, o quinto artigo considerou as repercussões de características sociodemográficas e fatores psicossociais na capacidade para o trabalho, em profissionais de Psicologia no Brasil. Há alta autopercepção de capacidade para o trabalho, predominância de exigências mentais no trabalho, existem quadros de distúrbios emocionais leves e alergias, somados a afastamentos do trabalho, bem como maior capacidade para o trabalho nos participantes com mais de 45 anos. Ressaltou-se a necessidade de novos e contínuos estudos para investigar essas demandas, a fim de manter os profissionais da Psicologia saudáveis e produtivos, de modo a prolongar sua vida laboral com qualidade, e gerar fatores protetivos em sua capacidade para o trabalho. Intentou-se assim, criar uma base de dados para ações longitudinais e futuras comparações em estudos do campo da saúde ocupacional e sobre a Psicologia brasileira como um todo, considerando sua multiplicidade e as possibilidade de práticas simultâneas ou de redefinição de carreira dentro de especialidades da própria profissão, em que se possa, inclusive, mitigar os riscos desse trabalho e desenvolver políticas para a saúde e a qualidade de vida desses profissionais.

    Palavras-chave: Psicologia; Ciência e Profissão; Fatores Psicossociais do Trabalho; Capacidade para o Trabalho; Brasil.

  • Data da Defesa: 19/02/2021
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+ QUALIDADE DE VIDA E ESTRATÉGIAS DE COPING EM PACIENTES NO PERÍODO PÓS-CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO
  • Discente:
    • Anderson Borges de Carvalho
  • Orientador(a):
    • Heloisa Bruna Grubits Freire
  • Resumo:

    O câncer causa um desgaste psicofísico e social. O tratamento cirúrgico e possíveis medidas quimioterápicas e/ou radioterápicas podem levar à ansiedade referente à cura ou retorno ao tratamento, o que favorece quadros que influenciam a Qualidade de Vida Relacionada à Saúde. As estratégias de enfrentamento (coping) são fundamentais para a superação do estresse se e, no Câncer de Cabeça e Pescoço, ligadas à resiliência e vivência do tratamento e recuperação. O objetivo desta pesquisa foi avaliar pacientes tratados cirurgicamente pelo Serviço de Cabeça e Pescoço do Hospital de Câncer “Alfredo Abrão” (Campo Grande / MS), identificando as estratégias de coping mais utilizadas no enfrentamento da doença e sua percepção associada de qualidade de vida relacionada à saúde. Trata-se de estudo exploratório descrito, de corte transversal, entre pacientes (n=55) atendidos pelo Serviço de Cabeça e Pescoço que receberam tratamento cirúrgico uma semana antes do início da aplicação da pesquisa, e aderiram ao estudo a partir do critério da participação livre e espontânea. Foram aplicados questionário sociodemográfico, ocupacional e de saúde elaborado pelo autor do estudo; European Organization for Research and Treatment of Cancer Core Quality of Life Questionnaire – Core 30 (EORTC QLQ-C30) e European Organization for Research and Treatment of Cancer Quality of Life Questionnaire Head and Neck Module – 35 (EORTC QLQ-H&N35) específico ao câncer de cabeça e pescoço e Escala de Coping de Billings e Moos para a aferição. O Câncer de Cabeça e Pescoço se mostrou complexo, mas de cura viável em muitos casos, mesmo avançados, com perspectiva de reestabelecimento relativamente melhor que no câncer em geral. A Qualidade de Vida é afetada na doença sobretudo quanto aos referenciais de socialização (função social, alimentação social, integração com o outro), com recorrentes restrições nutricionais, tensões e risco de isolamento. Já o coping no Câncer de Cabeça e Pescoço foi relacionado ao fato de que a presença de filhos é motivadora à maior percepção positiva de Qualidade de Vida Relacionada à Saúde, ao contrário da renda que, quando menor, mais restritiva se faz apresentar esta condição. Os principais comprometimentos relacionados a este fator em geral são associados a Função Física, Emocional e Social, sendo a disfagia um dos principais fatores de efeito negativo à Qualidade de Vida Relacionada à Saúde. A disfonia é outro fator de decréscimo desta condição, com forte relação à fadiga. A idade tem papel determinante para o agravamento de problemas nutricionais, sendo o Câncer de Cabeça e Pescoço conduz ao maior consumo de suplementos nutricionais e alterações como perda de peso e alimentação por sonda ou tubo. Quanto maior a idade, menor tende a ser a adesão às estratégias de coping, sendo o tipo comportamental com enfoque no problema o mais utilizado por mulheres no Câncer de Cabeça e Pescoço, sendo a recepção de atendimento psicológico um fator de ampliação do enfoque à emoção, sendo a mediação da subjetividade importante para o controle de gatilhos. O coping nesta doença, de forma ideal, se mostrou como junção de emoção e foco no problema, sendo indicados estudos de acompanhamento em períodos posteriores cirúrgicos.

    Palavras-chave: Oncologia. Cânceres de alto impacto. Psicologia da Saúde. Qualidade de Vida.

  • Data da Defesa: 23/04/2020
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+ DA VIDA COMUM: UMA PROPOSTA FENOMENOLÓGICA PARA GRUPOS EM PSICOLOGIA
  • Discente:
    • GILLIANNO JOSÉ MAZZETTO DE CASTRO
  • Orientador(a):
    • Márcio Luís Costa
  • Resumo:

    Tese: este estudo tem por objetivo pensar um caminho fenomenológico de base Henriana para grupos de outros significativos em Psicologia. Esses grupos caracterizam-se pela intensa troca afetiva entre os membros, a exemplo de famílias, grupos de vivência. Método: Trata-se de um ensaio fenomenológico que, por meio de uma revisão narrativa de literatura, intenta aproximar os conceitos de Henry, tais como prova de si, pathos avec, encarnação, corpopropriação, bem como procura pensar como os temas da comunidade de filiação e da comunidade de hábito podem contribuir para o processo de entendimento das dinâmicas de afirmação e do fluxo da vida nos grupos. Metodologia: Para se construir tal proposta, faz-se a constituição da perspectiva fenomenológica da qual parte a pesquisa, isto é, uma pesquisa que segue o princípio da ordem implicada e é construída desde a perspectiva epistemológica de uma Fenomenologia do Sul. Na sequência, faz-se o levantamento do estado da questão, a qual possibilita perceber que a Fenomenologia vem estabelecendo um diálogo profícuo e diversificado com a Psicologia desde a sua fundação, originalmente por meio do avizinhamento ao pensamento de Heidegger e Merleau-Ponty e, após, por meio da apropriação do pensamento de Husserl. Também se observa que o uso do pensamento Henriano em Psicologia é recente e ainda muito restrito ao espaço da clínica, possibilitando assim um campo de exploração possível dentro da dimensão comunitária. Após isto se estabelecerá um diálogo entre a Psicologia da Saúde, as neurociências e da Fenomenologia de Henry para se estabelecer quais são os possíveis fundamentos materiais de uma Fenomenologia Imanente do comunitário. Tal diálogo será feito por meio das categorias de carne, interocepção e homeostase. Após isso, as principais categorias do pensamento de Henry são pensadas correlacionando-as com as especificidades dos fenômenos presentes no campo da Psicologia, o que sempre se busca a partir da relação interafetiva e intersubjetiva. Ao final se intenta construir os primeiros traços de uma abordagem para uma análise fenomenológica Henriana para grupos. Resultados: Como resultado, pode-se perceber a viabilidade e a riqueza que a aproximação da reflexão Henriana do tema do comunitário pode oferecer à reflexão e práticas fenomenológicas em Psicologia em alguns pontos, a saber: 1º Há uma diferença de uso do conceito de Fenômeno em Psicologia e em Fenomenologia; 2º A aproximação entre o pensamento Henriano e a Psicologia da Saúde produz uma torção no conceito de Saúde; 3º A categoria imanência é reelaborada quando aproximada da Psicologia; 4º A atitude fenomenológica sofre uma mudança de nível; 5º É possível pensar uma Psicologia da Saúde comunitária que opera em níveis de aparição e constituição da realidade; 6º 10 Aprofundam-se os diálogos e os canais de interlocução entre a Fenomenologia e as ciências da vida; 7º Aprimora-se e se esclarece a realidade do pathos avec como método. Limites e possibilidades: 1º As razões seminais de uma Psicologia da Saúde Fenomenológica estão plantadas, porém não suficientemente desenvolvidas; 2º Os horizontes constitutivos de uma Fenomenologia do Sul estão enunciados; 3º Busca-se pensar em operar dentro de um paradigma multidisciplinar.

    Palavras-chave: Fenomenologia, Grupos, Henry, Outros significativos.

  • Data da Defesa: 12/03/2020
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+ FATOR DE RISCO PSICOSSOCIAL E ENTRINCHEIRAMENTO EM POLICIAIS CIVIS DE CAMPO GRANDE/MS - BRASIL
  • Discente:
    • ELAINE CRISTINA VAZ VAEZ GOMES
  • Orientador(a):
    • Liliana Andolpho Magalhães Guimarães
  • Resumo:

    Os fatores de risco psicossociais no trabalho são o resultado da interação entre o trinômio: indivíduo, condições de vida e condições de trabalho que afetam a saúde dos trabalhadores por meio de processos psicológicos, fisiológicos e sociais. O campo teórico da Psicologia da Saúde Ocupacional surge para compreender o cenário do trabalho, visando o diagnóstico para identificação, prevenção e controle dos Fatores de Risco Psicossociais no ambiente laboral. Nesse sentido, em virtude das condições peculiares do trabalho policial, grupo ocupacional aqui estudado, a saúde desta categoria profissional foi pesquisada, para identificar se o entrincheiramento se constitui como um fator de risco psicossocial no local de trabalho. Entende-se entrincheiramento como a permanência do trabalhador na organização devido a sua estabilidade, atrelada aos prejuízos que podem estar associados à sua saída. A identificação de ambos os construtos pode possibilitar prevenir, proteger e intervir para promover a saúde e o bem-estar destes trabalhadores, visto que a categoria policial demanda maior atenção dos pesquisadores da área da saúde e do trabalho, por tratar-se de uma profissão que apresenta rotinas laborais altamente estressantes. A pesquisa teve como objetivo principal investigar o “entrincheiramento” como fator de risco psicossocial no trabalho do policial civil. Foi realizado um estudo descritivo e analítico, de corte transversal, com uso do método quantitativo. A amostra foi por conveniência e voluntária, constituída por n=314 participantes, que corresponde a 39% da população total de policiais da cidade de Campo Grande, Estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, (N=806). A coleta de dados deu-se nas delegacias e instituições da cidade em um período de até seis meses, levando-se em conta as atividades exercidas pela amostra, bem como a logística para deslocamento da pesquisadora. A pesquisa traz uma síntese dos principais marcos da evolução da Psicologia da Saúde Ocupacional como um campo teórico em expansão, internacional e nacional. Foi realizado um estudo teórico em livros, capítulos de livros, artigos de periódicos e outras publicações do banco de dados da American Psychological Association e da Society for Occupational Health Psychology. Para tanto realizou-se uma revisão sistemática da literatura sobre a utilização do Copenhagen Psychosocial Questionnaire nos bancos de dados da Biblioteca Virtual em Saúde do Portal Regional da BVS, PubMed, Medline, CAPES (periódicos) Fundação COPSOQ e Elsevier. Foram analisados 37 artigos completos e destes, 56,8% pesquisaram trabalhadores da área da saúde e 5,4% trabalhadores da segurança pública, destacando-se os trabalhadores de trânsito da guarda municipal; 54,1% saúde e trabalho; 62% utilizaram predominantemente o desenho de corte transversal e 54,1% utilizaram a versão média do instrumento. Em relação aos fatores de risco psicossociais no contexto de trabalho da polícia civil os resultados apontaram uma situação de alerta para a saúde em seis dimensões do instrumento aplicado: (i) exigências laborais; (ii) organização do trabalho e conteúdo; (iii) relações sociais e liderança; (iv) interface trabalho e indivíduo; (v) valores no local de trabalho e (vi) dimensão saúde e estresse. Os fatores exigências cognitivas e emocionais, foram os que mais contribuíram para um alto risco para a saúde. Na amostra estudada detectou-se a ocorrência de entrincheiramento, sobretudo, pela estabilidade financeira e benefícios que seriam perdidos se o indivíduo deixasse seu emprego de policial. O estudo demonstrou que as dimensões saúde e bem-estar emocional estão fortemente influenciadas pelo entrincheiramento, isto é, quanto maior o entrincheiramento, mais comprometidos os fatores (saúde, problemas relacionados ao sono, estresse, sintomas depressivos e Burnout). Os achados obtidos mostraram que intervenções junto ao grupo ocupacional e organização permitem estabelecer estratégias para mudanças no contexto laboral, principalmente, em relação às repercussões na saúde do trabalhador. Pode-se concluir que o “entrincheiramento” é um Fator de Risco Psicossocial para o policial civil na amostra estudada, por “aprisionar” o servidor, que permanece na organização por necessidade de segurança e estabilidade.


    Palavras-Chave: Entrincheiramento; Fator de risco, Trabalho; Polícia; Saúde Ocupacional.

  • Data da Defesa: 28/02/2020
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+ DISPOSITIVO DE CATEQUIZAÇÃO: A EMERGÊNCIA DE UMA NOVA POLÍTICA DE GESTÃO
  • Discente:
    • CAMILLA FERNANDES MARQUES
  • Orientador(a):
    • Anita Guazzelli Bernardes
  • Resumo:

    Marques, C. F. (2020). Dispositivo de Catequização: A emergência de uma nova política de gestão. 134f. (Tese Doutorado em Psicologia), Universidade Católica Dom Bosco - UCDB, Campo Grande, MS.
    A presente tese tem como objetivo de investigação demonstrar, por meio de uma grade de inteligibilidade sobre políticas sociais e políticas de gestão, especialmente, no campo da assistência social, o modo de composição do dispositivo de catequização e certas formas de produção de subjetividade. A problematização que se engendra, apoiando-se nesse objetivo, formula a seguinte pergunta de pesquisa: a partir de um cotidiano virtual capaz de fazer emergir dispositivos, como se torna possível forjar o dispositivo da catequização proveniente de práticas da política de assistência social e políticas de gestão? Esse objetivo e questão de pesquisa situam a produção de conhecimento em Psicologia no âmbito de uma preocupação com as diferentes formas de subjetivação que compõem a nossa atualidade. Objetivo e problema de pesquisa auxiliam uma trajetória de investigação que se faz possível no campo da Psicologia, a partir de um diagnóstico do presente que aproxima a disciplina de uma questão maior sobre como nos tornamos o que somos e o que estamos em vias de deixar de ser, ou seja, uma ontologia do presente. Essa ontologia do presente, na área de concentração do Programa em que a tese se desenvolve, é feita por meio da necessidade de, na saúde, considerar-se aquilo que se produz como formas de subjetivação, mediante diferentes arranjos sociais, tais como as formas de gestão da vida da população. Essas considerações, na tese, permitiram percorrer a relação entre as lógicas neopentecostais e neoliberais visibilizadas em parcerias público-privadas na operacionalização de práticas de gestão no âmbito das Políticas Públicas brasileiras de Assistência Social. O método cartográfico, no qual a tese é posta para funcionar, auxilia-nos no percurso de rastrear e acompanhar as práticas cotidianas no campo das políticas sociais, e nos permite articular nossa caixa de ferramentas conceituais para análise e apresentação do dispositivo de catequização, pautadas em autores pós-estruturalistas como Michel Foucault, Gilles Deleuze, Félix Guattari e Giorgio Agamben, partindo também de algumas inspirações baseadas em Walter Benjamin. A análise das práticas em um cotidiano diagrama, possibilitou-nos visualizar um contraste entre práticas filantrópicas/assistencialistas e de direito/políticas no âmbito das políticas públicas, e compreender que sua proveniência e emergência se dão pela amalgamento das lógicas neopentecostais e neoliberais que torna possível a formação do dispositivo de catequização. A partir do percurso investigativo foi possível a desterritorialização da catequização enquanto uma prática de conversão da fé, e a reterritorialização da catequização enquanto tecnologia de gestão da vida e da morte nas políticas públicas brasileiras, operando como forma de produção de estratégias de condução da conduta da população que demarcam e desqualificam vidas, tornando-as passiveis de morte para um melhor gerir do Estado através de práticas fascistas que produzem formas de subjetivação como o cidadão de bem e o sujeito de privilégios.


    Palavras-Chave: Políticas Públicas, Dispositivo de Catequização, Política de Gestão, Neoliberalismo, Neopentecostalismo.

  • Data da Defesa: 27/02/2020
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+ O PROCESSO DE ACOLHIMENTO AOS REFUGIADOS NO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL: CONTRADIÇÕES DE UMA POLÍTICA EM CONSTRUÇÃO NA VOZ DE SEUS ATORES
  • Discente:
    • FRANCISCA BEZERRA DE SOUZA
  • Orientador(a):
    • Luciane Pinho de Almeida
  • Resumo:

    O mundo, nesta última década, vem apresentando um crescente número de pessoas em condição de refúgio, como nunca visto na história da humanidade. Tal fato tende a provocar alterações nas configurações dos povos em âmbito mundial, tendo em vista que as pessoas em condição de refúgio e refugiadas são aquelas que deixam seu país em decorrência de conflitos localizados, guerras, desastres ambientais e outros que as levam a saírem de seus países de origem, em busca de proteção e melhores condições de vida para si e suas famílias. O Relatório anual “Global Trends – Forced Displacement in 2018”, publicado pelo ACNUR, em 2018, apresenta os países que se destacam como originários de refugiados no mundo, denotando que esse número vem crescendo sem precedentes, tendo em vista que os motivos desses deslocamentos (guerras e conflitos) ainda estão sem perspectiva de solução. Esta tese tem como objeto de estudo o acolhimento de refugiados no Brasil e no estado de Mato Grosso do Sul, que, apoiando-se no cenário mundial vêm, de forma intensa e rápida, apresentando questões de refúgio cujas tendências apontam para novas configurações dos povos que vivem em território de guerra e conflito. O objetivo geral deste estudo foi identificar as práticas de acolhida e discutir se há, no Brasil e em Mato Grosso do Sul, uma Política Pública de Acolhimento para refugiados. Emprega-se o método do materialismo histórico e dialético, entendendo que a questão do refúgio está diretamente ligada ao movimento existente em uma sociedade de classes no qual as relações de produção privilegiam o consumo e refletem diretamente nas relações sociais. A investigação sobre a temática de refúgio se pauta em uma abordagem qualitativa, por meio de entrevistas semiestruturadas para a coleta dos dados de atores sociais envolvidos no acolhimento a refugiados. Os resultados demonstram que não há, no Brasil e no estado de Mato Grosso do Sul, uma política pública de acolhimento aos refugiados. O estudo revelou que, conquanto existam práticas de acolhimento aos refugiados, estas são realizadas via entidades da sociedade civil, com subsídio do ACNUR. Esse acolhimento, entretanto, ocorre de forma perversa, visto que as ações oferecidas pelas entidades aos refugiados não chegam a promover a integração completa dessas pessoas na sociedade de destino, tendo em vista a ausência do Estado no trabalho de acolhimento.


    Palavras-chave: Refugiados; Acolhimento; Políticas Públicas; Mato Grosso do Sul

  • Data da Defesa: 19/02/2020
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+ CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO EM CONTEXTO INTERCULTURAL: Um estudo sobre estudantes brasileiros e de origem boliviana na fronteira BrasilBolívia
  • Discente:
    • ANA MARIA DE VASCONCELOS SILVA
  • Orientador(a):
    • Luciane Pinho de Almeida
  • Resumo:

    Silva, Ana Maria de Vasconcelos. (2020). Constituição do sujeito em contexto intercultural: Um estudo sobre estudantes brasileiros e de origem boliviana na fronteira Brasil-Bolívia (Tese de Doutorado). Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Campo Grande, MS, Brasil. As migrações internacionais só existem porque existem fronteiras. A zona de fronteira é compreendida como espaço que se revela na confluência entre dois territórios nacionais, caracterizada por um conjunto de interações materiais e imateriais, como as simbólicas, as culturais e as identitárias. Nesse sentido, buscamos compreender: Como se dá o processo de constituição do sujeito “estudante” no contexto intercultural da fronteira Corumbá (MS)/Puerto Quijarro (BO)? Assim, esta pesquisa teve como objetivo analisar o processo de constituição do sujeito com foco em estudantes de ensino médio que vivem e estudam na fronteira Brasil-Bolívia, moradores de Corumbá-MS e de Puerto Quijarro-BO, respectivamente. Trata-se de uma pesquisa qualitativa fundamentada na perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural, que tem como base o materialismo histórico-dialético. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e a de campo e, como procedimento de coleta de dados, utilizou-se a técnica de entrevista semiestruturada. Para a análise dos dados, optou-se pela análise de conteúdo. Foram realizadas catorze entrevistas com sete estudantes moradores de Corumbá-MS e sete estudantes de Puerto Quijarro-BO, dez do sexo feminino e quatro do sexo masculino, com idades entre 15 e 19 anos. As entrevistas foram gravadas e transcritas na íntegra. Os dados foram distribuídos em categorias e subcategorias definidas a partir das falas dos estudantes. Para a apresentação dos recortes das falas, foram utilizados nomes fictícios. As análises apontaram que o processo de constituição do sujeito “estudante” da fronteira Corumbá-MS/Puerto Quijarro-BO ocorre em um espaço de contradições, ambiguidades e desigualdade social. Dessa forma, é no reconhecimento e estranhamento, nas proximidades e afastamentos, nas negociações e nos confrontos, em suas diferentes mediações, que se dá a relação entre as culturas (brasileira e boliviana), considerando a perspectiva do materialismo histórico-dialético, que implica uma complexidade em que cada fenômeno só faz sentido como um momento definido em relação a si e em relação aos outros fenômenos dessa região. Palavras-chave: Constituição do sujeito. Psicologia Histórico-Cultural. Estudante de Fronteira. Relação Intercultural.

  • Data da Defesa: 17/02/2020
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+ “MANUAL MODERNO DA BOA MÃE” – A ATUAÇÃO DA MÍDIA NA PRODUÇÃO DOS CORPOS GRÁVIDOS E NO PREPARO DA MULHER PARA A MATERNIDADE
  • Discente:
    • DÉBORA FERNANDA HABERLAND
  • Orientador(a):
    • Anita Guazzelli Bernardes
  • Resumo:

    Haberland, D. F. (2020). “Manual moderno da boa mãe” – A atuação da mídia na produção dos corpos grávidos e no preparo da mulher para a maternidade. 156 f. (Tese Doutorado em Psicologia), Universidade Católica Dom Bosco - UCDB, Campo Grande, MS. O pré-natal para as mulheres tornou-se, a partir do século XX, um modo de fazer da gravidez um foco político; porém, a adesão às orientações e a forma como cada mulher vai exercer o cuidado envolvem um conjunto heterogêneo de práticas. A perspectiva de considerar o prénatal nesta tese apoia-se no pensamento de Foucault sobre o controle do corpo, que é um local de disputa de saber-poder e produção de subjetividade. O objetivo desta pesquisa é analisar de que maneira os saberes normativos são operacionalizados no espaço midiático, articulando-se e investindo no corpo da mulher grávida, e como instruem para um modelo específico de maternidade, tomado aqui como conceito de “Boa Mãe”. Busca-se mostrar como a mídia articula-se com outros aparatos e produz discursos e formas de regular e governar as mulheres grávidas, a partir do discurso da mídia e redes sociais. Esta pesquisa apoia-se em uma perspectiva pós-estruturalista, utilizando os modos de problematização de Michel Foucault para auxiliar na discussão sobre conceitos de discurso, governamentalidade, cuidado de si, produção de verdades e tecnologias que regem e controlam a vida destas mulheres, dentro do campo da Psicologia Social e Saúde. Direcionando-se ao rastreio e à composição deste “Manual da Boa Mãe”, nesse percurso, viu-se a ideia de poder e de interesse político no corpo grávido, tendo-se como problema de pesquisa: como a mídia social tem contribuído e se articulado com outros aparatos, de modo sutil e contínuo, produzindo subjetivação, bem como discursos e formas de regular e governar os corpos grávidos? O percurso metodológico da pesquisa foi realizado pela cartografia. A partir do caminho percorrido, direcionou-se esta pesquisa à problematização de como essas normas se articulam e direcionam a mulher a um modelo específico de cuidado, como a elaboração de um manual, o “Manual da Boa Mãe”, que não atua apenas no corpo grávido, mas é constituído em diversos discursos e compõe uma política normativa de modelo de maternidade. Mediante diferentes enunciações, engendra um regime de verdade que produz subjetividade para ser uma boa mãe a partir de uma estratégia política do corpo grávido. Foram analisadas publicações na página das revistas Pais e Filhos e Crescer, bem como blogs citados em publicações da rede social Facebook no período de 2017 e 2019 Nas discussões, compreendeu-se o processo de “politização do corpo grávido” na produção da mãe moderna e como isso circula e opera no espaço midiático, investindo neste corpo e produzindo um manual a ser seguido e um determinado modelo de maternidade. A partir de distintos discursos, separados em cinco eixos principais – o discurso biomédico prescritivo, a construção da mãe-trabalhadora, o sagrado, o comportamental/psicológicomoral e a (des)apropriação do corpo grávido –, a mídia demonstra ser um espaço para prescrição e subjetivação de um modelo de maternidade e um importante elemento para pensar tal modelo como espaço de fala. O que antes era restrito ao mundo particular agora pode ser exposto, questionado, pensado e problematizado – a mídia acaba por permitir um espaço de fala para as mulheres como nova modalidade de experts.

    Palavras-chaves: Politização do corpo; Mulher; Gestação; Subjetividade.

  • Data da Defesa: 10/02/2020
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+ "Condições Ético-intersubjetivas para a Construção do Vínculo na Análise e nas Psicoterapias."
  • Resumo:

    O presente estudo pretende sustentar uma tese referente à construção do vínculo ou aliança
    terapêutica, na análise e nas psicoterapias, que se situa no universo das práticas psi e na ética
    intersubjetiva da alteridade de Emmanuel Lévinas. Para tal, pretende assinalar o necessário
    caráter intersubjetivo da criação do vínculo ou aliança terapêutica, assim como o caráter ético da
    intersubjetividade. O estudo tem como ponto de partida a discussão do tema do vínculo, dentro
    dos paradigmas teóricos da Psicanálise, Gestalt-Terapia e da Terapia Cognitivo-comportamental,
    mostrando, inicialmente, que as teorias da construção do vínculo remetem a uma condição
    humana vincular de fundo, de ordem intersubjetiva, para depois defender a tese de que tal
    condição é intersubjetiva e ética. Trata-se de uma pesquisa teórica de revisão de literatura
    narrativa. Tomou-se as principais obras dos autores dos campos da análise e das psicoterapias,
    bem como de um filósofo que articula ética e intersubjetividade. A discussão é distribuída em
    quatro partes, sendo a primeira voltada para a exploração dos conceitos de criação de vínculo,
    dentro das perspectivas da Psicanálise, da Gestalt-terapia e da construção da aliança terapêutica
    na terapia cognitivo-comportamental, além de um balanço das convergências e condições de
    fundo para os dois conceitos. A segunda parte traz observações gerais sobre a construção do
    vínculo na psicanálise e sua condição, assim como o conceito de objeto e o vínculo do amor. O
    terceiro capítulo remete a estss mesmos conceitos, porém dentro das outras duas perspectivas
    teóricas supracitadas, confirmando as suspeitas iniciais. Por fim, a quarta parte da tese se dirige à
    consolidação dos argumentos centrais, pelo reforço dos conceitos de vincularidade e ética, dentro
    do pensamento levinasiano, sendo precedida pelas considerações finais. O resultado da
    articulação temática, entre os pressupostos das teorias do vínculo e a filosofia, foi a possibilidade
    de mostrar o caráter ético do vínculo analítico ou psicoterapêutico.
    Palavras-chave: Teorias do vínculo; Psicanálise; Psicoterapias; Intersubjetividade; Ética

  • Data da Defesa: 27/02/2019
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+ OS VÍNCULOS AFETIVOS INFANTIS E A PRÉ-ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL
  • Discente:
    • Camila Bellini Colussi
  • Orientador(a):
    • Sonia Grubits
  • Resumo:

    O presente estudo teve como objetivo geral analisar os vínculos afetivos estabelecidos pelas crianças que estudam em pré-escola de tempo integral. Foi utilizado o método qualitativo e o referencial teórico psicanalítico e da teoria do apego de Bowlby. A tese foi desenvolvida na modalidade de artigos. O artigo 1, intitulado “Reflexões sobre a pré-escola de tempo integral e a formação dos vínculos afetivos”, discute a relação entre a escola de tempo integral e a formação dos vínculos afetivos, passando pelos aspectos legais da Educação e a importância da construção de vínculos afetivos para a saúde mental do indivíduo. Apresenta ainda dados obtidos nas observações registradas em diário de campo, feitas pela pesquisadora em 66 visitas técnicas em um Centro de Educação Infantil de uma cidade do interior do Estado de Mato Grosso do Sul, onde se realizou a pesquisa. O artigo 2, cujo título é “Os vínculos afetivos e a pré-escola de tempo integral nos desenhos das crianças”, traz dados referentes aos desenhos produzidos por dez crianças, estudantes da pré-escola de tempo integral, sobre a escola, a família e as pessoas importantes para elas, permitindo uma análise das reflexões das mesmas a respeito da permanência na escola de tempo integral. O artigo 3, intitulado “A préescola de tempo integral e os vínculos afetivos: vivência de pais e responsáveis”, apresenta a visão de dez pais e/ou responsáveis a respeito do tema pesquisado, e demonstra que a pré-escola de tempo integral apresenta-se como única opção para famílias que tem necessidade de trabalhar, de modo que a instituição continua cumprindo a função assistencialista inicial para a qual foi criada (guarda, higiene e  alimentação). O artigo 4, com o título de “A pré-escola de tempo integral e os vínculos afetivos infantis: um recorte a partir da visão das educadoras”, trata da percepção de dez educadoras a respeito do tema, participando professoras, monitoras e coordenadora pedagógica. As 10 educadoras apresentaram posicionamento desfavorável à pré-escola de tempo integral. Os dados dos artigos produzidos evidenciam que o tempo de convívio com a família é considerado insuficiente e aponta para a possibilidade de incompatibilidade entre a permanência da criança na pré-escola de tempo integral e o atendimento pleno de suas necessidades afetivas, nas condições em que se dá a Educação Infantil na atualidade. Desta forma, propõem-se maiores investimentos na área da Educação, com melhor formação e capacitação para as profissionais, além de políticas públicas que incluam não apenas a Educação, mas também a Assistência Social, a Saúde, o Esporte e a Cultura. Sugere-se também maior diálogo entre a família e a instituição, e ainda melhores e diversificadas condições de trabalho, de modo que a inserção da mulher no mercado de trabalho seja acompanhada de condições adequadas para que esta possa, caso seja seu desejo, desempenhar suas funções maternas de forma articulada, garantindo-se, então, a promoção da saúde mental das crianças.
    Palavras-chave: educação infantil; pré-escola; vínculo; desenhos.

  • Data da Defesa: 25/02/2019
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+ A SITUAÇÃO DOS ADOLESCENTES INDÍGENAS GUARANI - KAIOWÁ QUE CUMPREM MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO EM MS
  • Discente:
    • SILVIA MARA PAGLIUZO MURAKI
  • Orientador(a):
    • Sonia Grubits
  • Resumo:

    O presente estudo parte do processo de ressocialização de adolescentes indígenas em Medida Socioeducativa de Internação (MSI), na UNEI de MS. A MSI é aplicada pelo juiz ao adolescente infrator e pode vigorar por até três anos. O objetivo geral da presente tese é: Analisar e discutir os impactos e desdobramentos da MSI na vida dos adolescentes indígenas Guarani-Kaiowá da UNEI de Dourados-MS. O estudo traz como questões de pesquisa (1) Quais argumentos institucionais e jurídicos, garantem que a UNEI possa atender adolescentes indígenas (2) Como se opera o processo de ressocialização do adolescente indígena na UNEI? Hipótese: A UNEI não atende as especificações propostas pelas legislações e pactos internacionais referentes à educação indígena, funciona como equipamento estatal colonizador do adolescente indígena em MSI, quando o submete ao regime universal e normalizador da sociedade não indígena. Visa, também, destacar como os campos social e da Justiça vão desenvolvendo suas práticas voltadas aos adolescentes indígenas em MSI que, embora aja em nome da garantia de direitos, opera produzindo vulnerabilidades. Esta tese foi desenvolvida na modalidade de artigos. Artigo 1, intitulado “Um Olhar sobre a Legislação do Brasil e do México sobre o Adolescente em Conflito com a Lei”. É um estudo de revisão narrativa. Objetivo: apresentar, comparar e discutir aspectos do panorama jurídico do Brasil e do México em relação aos adolescentes infratores tem como foco apresentar a evolução dos preceitos da garantia de direitos e de proteção à infância e juventude. Artigo 2: “Educação indígena em ambientes de privação de liberdade”. É um estudo de revisão narrativa. Objetivo: Refletir sobre as metas propostas as escolas das UNEIs de MS, sobre educação indígena. Os dois primeiros artigos se configuram como pesquisa do estado da arte e pesquisa do estado da questão que visam contextualizar os cenários construídos onde se discutem o tema. Artigo 3 “Jovens indígenas em medida socioeducativa de internação: a percepção dos educadores de uma UNEI – MS”. Trata-se de um estudo de caso focado nos coordenadores e professores da UNEI. Objetivo: Proporcionar reflexão sobre as percepções dos educadores sobre o processo ensino-aprendizagem dos adolescentes indígenas em MSI. Artigo 4, “O olhar dos operadores de Direito a aplicação de privação de liberdade aos adolescentes indígenas”. É um estudo de caso com aplicação de entrevistas semiestruturadas a três Operadores de Direito de MS. Objetivo: Proporcionar uma reflexão sobre a percepção dos Operados de Direito quanto à aplicação de MSI em adolescentes indígenas Guarani/Kaiowá da UNEI de MS. Os resultados evidenciaram uma lacuna na lei, quando estes operadores utilizam por analogia a mesma lei para adolescentes indígenas e não-indígenas, por considerá-los ambos adolescentes em igualdade de tratamento. Artigo 5, “A percepção dos adolescentes indígenas, das Lideranças Indígenas e familiares sobre Adolescentes Indígenas Guarani/Kaiowá em MSI. Objetivo: apresentar as percepções das lideranças indígenas, dos próprios adolescentes e de seus familiares sobre os fatores que assolam os adolescentes indígenas em MSI. O panorama apresentado denuncia o contexto de precariedade e de problemas de saúde pública em que se apresentam os adolescentes indígenas em MSI.

     Palavras-chave: Adolescentes Indígenas; Medida Socioeducativa de Internação - MSI; Atos
    Infracionais.

  • Data da Defesa: 22/02/2019
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+ FATORES DE RISCO PSICOSSOCIAIS E PRÁTICAS DE GESTÃO EM INDÚSTRIAS MULTINACIONAIS DE SÃO PAULO E MATO GROSSO DO SUL, BRASIL
  • Discente:
    • JOÃO MASSUDA JUNIOR
  • Orientador(a):
    • Liliana Andolpho Magalhães Guimarães
  • Resumo:

    As mudanças na organização do trabalho têm se tornado frequentes, muitas vezes contribuindo para a maior ocorrência de Fatores de Risco Psicossociais (FRPs) relacionados ao trabalho, estresse ocupacional e síndrome de Burnout. Os impactos negativos, diretos e indiretos, destes para a saúde dos trabalhadores e performance das organizações, assim como sua associação à aspectos relacionados a gestão, têm despertado cada vez mais o interesse de pesquisadores e motivou o desenvolvimento das pesquisas que compõem esta tese. O método quantitativo foi empregado para a realização destes estudos. Os participantes foram trabalhadores das áreas operacionais de três indústrias multinacionais dos setores metal mecânico e alimentício, situadas nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo, Brasil. Os estudos foram desenvolvidos utilizando-se a abordagem teórico-medotológica do Work Stress, lançando mão do framework Job Demands-Resources (JD-R) para as discussões e análises dos dados. A tese foi construída em formato de artigos, sendo o primeiro uma revisão sistemática dos instrumentos, validados nos últimos 20 anos, para a avaliação de FRPs no trabalho. Foram identificados, neste artigo, 31 instrumentos diferentes, sendo suas características, pontos fortes e fracos apresentados, com o objetivo de oferecer a profissionais de saúde, empresas e pesquisadores, as informações necessárias para a escolha do instrumento adequado à sua realidade e propósito. O segundo estudo retratou o processo de validação para o Brasil de um questionário de práticas de gestão organizacional, baseado na versão reduzida do Learning Organization Practices Profile (LOPP). Este instrumento foi fundamental para que fosse possível testar a hipótese presente no último artigo desta tese, que visa avaliar a possível relação entre as práticas de gestão implementadas e os FRPs presentes no trabalho. O terceiro artigo foi construído buscando avaliar a presença dos FRPs e Fatores de Proteção Psicossociais (FPPs) relacionados ao trabalho dos participantes deste estudo. Os resultados obtidos apresentaram um panorama dos FRPs e FPPs aos quais os trabalhadores estão expostos, sendo os principais riscos a alta demanda cognitiva e a alta insegurança ocupacional e os principais fatores de proteção: clareza de papéis, comunidade social, possibilidade de desenvolvimento, percepção de autoeficácia e recompensa. Por fim, o último artigo buscou compreender a relação existente entre as práticas de gestão, presentes nas organizações estudadas, e a saúde psicológica dos trabalhadores, avaliando se o comportamento ofensivo de Mobbing opera como mediador da relação entre as práticas de gestão e a saúde psicológica no trabalho. Os resultados obtidos destacam a importância da gestão/gestores no processo saúde/doença, apresentam evidências da influência direta das práticas de gestão sobre as demandas organizacionais (Mobbing) e sua influência indireta para o estresse ocupacional e síndrome de Burnout. O conjunto de artigos que compõem esta tese apresentou contribuições efetivas para o avanço das pesquisas brasileiras com abordagens teórico-medotológicas do Work Stress, identificando novas ferramentas de avaliação, validando um instrumento, apresentando dados sobre a saúde psicológica de um grupo ocupacional pouco estudado e propondo um modelo que conecta as práticas de gestão pesquisadas à saúde psicológica do trabalhador.
    Palavras-chave: riscos ocupacionais; fatores de risco; organização e administração; saúde do trabalhador; mobbing; estresse psicológico; esgotamento profissional.

  • Data da Defesa: 21/02/2019
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+ "QUALIDADE DE VIDA E ENGAJAMENTO NO TRABALHO DO PANTANEIRO DA REGIÃO DE AQUIDAUANA, MATO GROSSO DO SUL, BRASIL"
  • Resumo:

    No pantanal a vida é comandada pelo ciclo das águas, em que a cheia e a seca mudam o
    comportamento dos animais, dos rios, da vegetação e do homem pantaneiro. Os trabalhadores
    pantaneiros conhecem toda a lida campestre e desempenham suas atividades, seja no manejo
    com o gado ou com ferramentas. O grupo de trabalhadores que mais se contrata nas fazendas
    do pantanal é aquele ligado diretamente às atividades com o gado, que são de cria, recria e
    engorda de bovinos, ou seja, o peão campeiro, pois o sucesso da criação depende basicamente
    da sua força de trabalho. Esta investigação está inserida no campo da psicologia da saúde
    ocupacional, e tem como objetivo investigar as possíveis relações entre a qualidade de vida
    relacionada à saúde e o engajamento no trabalho em trabalhadores pantaneiros de fazendas da
    região de Aquidauana, Mato Grosso do Sul, Brasil. Foi realizado um estudo descritivo e
    analítico, de corte transversal, usando o método misto de pesquisa (qualitativo-quantitativo)
    com predomínio do método quantitativo, em 11 fazendas da região do pantanal de
    Aquidauana, em uma amostra composta por conveniência por n=62 trabalhadores. Esta tese
    está composta em formato de artigos. O primeiro artigo descreveu a percepção que o
    trabalhador pantaneiro possui a respeito da realidade do seu trabalho por meio de entrevista, e
    que utilizou como ferramenta de análise o software IRAMUTEQ (Interface de R pour lês
    Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires) que encontrou por meio de
    lexicografia básica os vocabulários mais frequentes para os trabalhadores estudados. O
    segundo artigo buscou identificar o nível da qualidade de vida relacionada à saúde do
    trabalhador pantaneiro, por meio do instrumento The Medical Outcomes Study 36 – Item
    Short-Form Health Survey (SF-36), identificando que os pantaneiros apresentam diferença
    significativa no componente físico e mental: (i) nos domínios capacidade funcional (p<0,01),
    aspectos físicos (p<0,04) e dor (p<0,04), com os melhores resultados para o sexo masculino;
    (ii) no domínio estado geral de saúde (p<0,01) os casados apresentam melhores resultados que
    os solteiros; e (iii) no domínio estado geral de saúde (p<0,02), aspectos sociais (p<0,02) e
    saúde mental (p<0,02), com melhores resultados para a faixa etária de mais de 40 anos. O
    terceiro artigo buscou verificar a existência de engajamento nos trabalhadores pantaneiros,
    por meio do instrumento da Utrecht Work Engagement Scale (UWES), indicando as seguintes
    prevalências e níveis de classificação de engajamento no trabalho: “alto” de (44,1%),
    moderado (30,53%) e baixo (25,37%). O quarto artigo avaliou a possível relação entre a
    qualidade de vida e o engajamento no trabalho nos trabalhadores pantaneiros, identificando
    nas análises das correlações entre os domínios da qualidade de vida e as dimensões do
    engajamento no trabalho uma associação positiva e forte entre as avaliações de vigor e
    vitalidade e entre vigor e saúde mental. Quando se analisou as correlações entre o construto
    engajamento e os domínios da qualidade de vida, foram identificadas associações moderadas
    e positivas entre o engajamento e estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais e saúde
    mental. Espera-se que os resultados desta pesquisa possam contribuir para dar visibilidade ao
    trabalho e à saúde mental dos trabalhadores pantaneiros, visando o desenvolvimento de
    programas na área da psicologia da saúde ocupacional para a promoção, prevenção e
    intervenção na saúde desses profissionais, colaborando para o engajamento deles no trabalho,
    ou aprimorando o engajamento por meio da melhoria da qualidade de vida relacionada à
    saúde.

    Palavras-Chave: Trabalhador pantaneiro; Psicologia da saúde ocupacional; Qualidade de
    vida; Saúde; Engajamento no trabalho.

  • Data da Defesa: 13/02/2019
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+ A falta-a-ser como dimensão ontológica do desejo em Lacan: uma discussão a partir de elementos da ontologia heideggeriana
  • Discente:
    • RUBEN ARTUR LEMKE
  • Orientador(a):
    • Márcio Luís Costa
  • Resumo:

    O presente estudo se insere na discussão sobre a ontologia na psicanálise de orientação lacaniana e seu objetivo é abordar a ontologia na teoria psicanalítica do desejo utilizando coordenadas conceituais da analítica existenciária de Heidegger. Em um período da obra de adesão às teses estruturalistas, Lacan utilizou abundantemente o vocabulário do ser na construção da teoria do desejo. Propôs o desejo como falta-a-ser contra uma política da psicanálise centrada na figura conceitual do eu, que funciona como suporte das ilusões de um realismo irrefletido. A partir deste contexto, são apresentados quatro temas ontológicos que estão presentes nas formulações lacanianas do desejo: a diferença ontológica, o conceito de verdade, a valoração ontológica da linguagem e a concepção do tempo. A doutrina da substância é a interpretação medular do ser na metafísica clássica e carrega consigo, além de uma ideia unitária do ser como subsistir, o ideal de totalidade. Esse ideal, facilmente se imiscui nas estratégias clínicas e pode impor uma política de tratamento dirigida à realização existencial de um modo de completude. A psicanálise é frontalmente oposta à esta perspectiva, na medida em que a teoria do desejo afirma que não há reconciliação possível do homem nem com o mundo nem consigo mesmo. Sustentando uma diferenciação entre metafísica e ontologia e entendendo a primeira como o efeito dos processos de essencialização e naturalização encobridores das fraturas do ser e a segunda como crítica aos fundamentos e ponto de apoio às decisões clínicas, é proposto que ontologia seja pensada como mínima, modal e assentada no pensamento da finitude, para que possa manter a abertura crítica e abordar o modo de manifestação do inconsciente com suas características temporais, negativas e de borda. São indicadas formulações que possuem um peso ontológico através de nove recortes da teoria psicanalítica do desejo: 1) O desejo como suporte da existência, 2) como posição ontológica do homem subvertido pela linguagem, 3) como metonímia da falta-a-ser, 4) como horizonte possível de realização do ser, 5) o falo como metonímia do ser do sujeito, 6) a fantasia como modo de estruturação do mundo, 7) o confronto com o desejo como intimação do ser para a morte, 8) o corte como contendo a dignidade do ser e 9) o desejo como constelação que orienta a direção do tratamento. O resultado da análise destes nove cortes é a afirmação de que o desejo comporta um peso ontológico e contém traços da analítica existenciária. A partir desta constatação é defendida a tese de que a teoria do desejo é uma descrição sobre o modo de ser do falante e funciona como uma ontologia mínima, que proporciona referências básicas para a condução de uma clínica que pretende se inscrever num estatuto etico.
    Palavras-chave: Psicanálise lacaniana – teoria do desejo – ontologia – analítica existenciária

  • Data da Defesa: 30/01/2019
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+ A VOZ DAS MÃES QUE ENTREGAM O BEBÊ EM ADOÇÃO
  • Discente:
    • KÁTIA REGINA BAZZANO DA SILVA ROSI
  • Orientador(a):
    • Sonia Grubits
  • Resumo:

    Não assumir a criação de um bebê recém-nascido é fato inconcebível em uma sociedade que considera o amor materno um mito associado à condição da mulher. A naturalização da maternidade faz com que as mães que oferecem seus filhos à adoção sofram constantemente o preconceito e o ostracismo. Muitas delas vivenciam, silenciosamente, calúnia e difamação por parte de todos que estão a sua volta. Este estudo está apoiado na teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano e investigou a bioecologia da entrega do bebê em adoção, mediante a descrição e análise da pessoa que faz a doação, como também dos processos vivenciados, contextos percorridos e tempo vivido na experiência da entrega do bebê. O estudo é de delineamento de multimétodos. A coleta de dados foi realizada através da Inserção Ecológica e, para isso, foram utilizados: observação naturalística, análise documental, entrevista, diário de campo, transcrição de vídeos de audiências e diário de campo. Na parte quantitativa, utilizou-se a estatística descritiva e inferencial para analisar o perfil sociodemográfico das mães que procuram a Vara da Infância, Juventude e Idoso – mais especificamente no Projeto “Dar a Luz” – tencionando fazer a entrega do bebê. Na análise qualitativa, foram usadas técnicas lexicográficas, nuvem de palavras, árvore de similitude e análise de conteúdo. Os resultados demonstram, no construto “Pessoa”, que as mães doadoras têm em média a idade de 26,8 anos, não têm companheiro (93%), possuem filhos (95,3%), não possuem renda (51%) ou estão alocadas no trabalho doméstico e/ou em ocupações sem qualificação (49%). Apontam como motivo principal para a entrega as dificuldades financeiras. A categoria “É preciso ter força” retrata a pressão vivenciada e o quanto essas mães necessitam ter disposição e força para o enfrentamento da situação. O processo de entrega é caracterizado por restrita rede de apoio à gestante, confirmado pela categoria “Estou só”. As mães se veem solitárias na tarefa de resolver o problema de uma gravidez indesejada e suas consequências, sentem-se abandonadas e consideram que há pouco engajamento nas interações e atividades sociais. A ausência do genitor da criança e da família, assim como o distanciamento dos amigos, do trabalho e da escola colocam-nas em situação de risco. Com relação ao construto “Contexto”, a categoria de análise “Me escondi...” representa o sentido da experiência da mãe doadora frente aos ambientes em que transita. Há pouca frequência nos locais de convivência, pois há esforço em manter o segredo da gravidez e da entrega do bebê. A categoria que descreve o nível temporal da experiência – “Nem o tempo resolve” – sinaliza que o filho entregue permanece nas vidas das mães biológicas, pois a entrega não o retira do mundo psicológico delas. As instituições de apoio pesquisadas, Projeto “Dar a Luz” e a maternidade, foram consideradas como fator de proteção no desenvolvimento dessas mães. Identificou-se a necessidade de ampliação e aprofundamento nos estudos sobre as mães que entregam o bebê em adoção que são invisibilizadas na sociedade e nas políticas públicas brasileiras.
    Palavras-chave: Entrega em Adoção. Mães. Mães Biológicas. Inserção Ecológica. Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano.

  • Data da Defesa: 16/03/2018
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+ QUALIDADE DE VIDA E ESTRATÉGIAS DE COPING DE GESTANTES DE ALTO RISCO E RISCO HABITUAL
  • Discente:
    • CENY LONGHI REZENDE
  • Orientador(a):
    • Heloisa Bruna Grubits Freire
  • Resumo:

    Introdução: Embora a gestação seja um evento comum na vida reprodutiva feminina, pouca atenção tem merecido quanto às modificações normais percebidas nos domínios físicos e psicológicos do estado de saúde da mulher e de sua qualidade de vida. Objetivo: Avaliar a qualidade de vida e as estratégias de enfrentamento (Coping) das gestantes de alto risco e risco habitual, do segundo e terceiro trimestre de gestação, do município de Dourados, MS. Método: Trata-se de um estudo exploratório, descritivo, quantitativo e de coorte do tipo transversal. A amostra desta pesquisa compôs-se de 79 gestantes, sendo 32 gestantes de alto risco, atendidas na Clínica da Mulher e 47 gestantes de risco habitual, atendidas nas ESFs, sendo 22 no Jóquei Clube e 25 no ESF Ramão Vieira Cachoeirinha. Foram aplicados três instrumentos de coleta de dados: um questionário sociodemográfico, o Índice de Qualidade de Vida de Ferrans & Powers adaptado e o Inventário de Coping de Billings e Moos. Resultados: Das 79 participantes da pesquisa, a média de idade foi de 25,7anos, com renda média familiar de R$ 1.617,00. Em todos os fatores significativos, o score médio das gestantes de “alto risco” está maior que o das gestantes de “risco habitual”. Nas comparações por meio do teste t-student, foram significativos os domínios do instrumento de Qualidade de vida de Ferrans & Powers adaptado, os domínios saúde/funcionamento no terceiro trimestre (p=0,005) e Família no terceiro trimestre (p<0,001). Referente às comparações entre o cruzamento dos dois instrumentos (Inventário de Coping e Qualidade de vida), apenas dois cruzamentos tiveram relação e dados significativos: o fator emoção (p<0.028) e o domínio saúde/funcionamento (p<0.045), ambos no terceiro trimestre com valor significativo (p>0,019), quando relacionado à variável raça com o fator saúde/espiritual, no terceiro trimestre, em que as brancas também possuem piores escores, comparadas às outras. Referente ao estado civil relacionado com o fator psicológico (questionário de qualidade de vida de Ferrans & Powers adaptado), no terceiro trimestre, houve valor significativo (p> 0,033), em que as gestantes casadas possuem piores escores comparadas as outras (solteiras, sem nenhum compromisso). Quanto à gestante trabalhar ou não, relacionado com o fator psicológico (questionário de qualidade de vida de Ferrans & Powers), no segundo trimestre, houve valor significativo (p> 0,047) no terceiro trimestre, foi (p> 0,041), ou seja, as gestantes que não trabalham possuem escores piores em relação às gestantes que trabalham fora de casa. Houve também correlação entre o domínio psicológico e a idade, sendo essa uma correlação positiva, ou seja, quanto maior a idade, maior o domínio psicológico (p=0,026). Conclusão: Esses resultados demonstram a necessidade de acompanhamento dessas participantes em programas especiais inseridos no pré-natal, de modo a contribuir para o enfrentamento da gestação, tanto de risco habitual quanto de alto risco, melhorando, assim, a qualidade de vida dessa população. Conclui-se que os resultados deste estudo são de extrema relevância para ações educativas e práticas assistenciais, contemplando positivamente essas mulheres.
    Palavras-chave: Qualidade de vida; Gestação de alto risco; Ferrans & Powers; Coping; Enfrentamento.

  • Data da Defesa: 14/03/2018
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+ TENTATIVA DE SUICÍDIO DE UM IDOSO: UM ESTUDO PSICANALÍTICO
  • Discente:
    • ALESSANDRA LUMI USSAMI
  • Orientador(a):
    • Sonia Grubits
  • Resumo:

    O presente trabalho constitui-se num estudo de caso de tentativa de suicídio de um idoso e tem como objetivo realizar uma análise interpretativa alicerçada na teoria psicanalítica freudiana, buscando-se compreender a dinâmica intrapsíquica e intersubjetiva na qual se encontrava a pessoa que cometeu este ato. Inicia-se com dados referentes ao suicídio e as tentativas na população idosa, apontada por diversas pesquisas como o grupo com taxas elevadas de morte auto infligida. No caso das tentativas, estima-se que a proporção seja de uma morte por suicídio para cada quatro tentativas entre os idosos. Em seguida abordam-se alguns postulados teóricos de Sigmund Freud sobre a questão do envelhecimento, com o intuito de realizar um levantamento dos conceitos por ele concebidos e que podem ser/ serão utilizados para analisar esta questão. Também será delineado um breve percurso para acompanhar o referido autor em sua concepção e sustentação de uma teoria psicanalítica freudiana do suicídio. Posteriormente descreve-se um outro estudo, do qual este trabalho é um dos resultados, intitulado Estudos sobre tentativas de suicídio em idosos sob a perspectiva da saúde pública (2013), de abrangência nacional, cujo objetivo era realizar entrevistas com idosos, buscando conhecer as circunstâncias que circundam suas ideações suicidas ou que as conduzem a tentar se matar. O instrumento qualitativo fundamental para a coleta de dados foi um roteiro de entrevista semiestruturado. A seguir esboça-se sucintamente como o idoso foi encontrado durante o trabalho de campo. O relato e discussão do caso nos apresenta um homem que tentou suicídio ingerindo veneno. A análise das falas do idoso e de sua esposa e as interpretações a elas atribuídas ressaltam que a teoria psicanalítica freudiana oferece condições, contribuições e possibilidades de aprofundar tanto a temática do envelhecimento quanto da tentativa de suicídio de um idoso.

    Palavras-chave: Tentativa de suicídio em homem idoso. Teoria psicanalítica freudiana. Suicídio. Idoso. Estudo de caso.

  • Data da Defesa: 02/03/2018
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+ A CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO INDÍGENA JOVEM KAIOWÁ E TERENA: UM ESTUDO A PARTIR DA TEORIA DA SUBJETIVIDADE
  • Discente:
    • Adriana Rita Sordi
  • Orientador(a):
    • Sonia Grubits
  • Resumo:

    Esta tese intitulada “A constituição do Sujeito indígena Jovem Guarani-Kaiowá e Terena: um estudo a partir da teoria da subjetividade” teve como objetivo geral compreender as configurações subjetivas do jovem indígena Guarani-Kaiowá e Terena. Os objetivos específicos se voltaram para: a) compreender a constituição do sujeito indígena desde a infância até a juventude; b) caracterizar a fase de transição da infância à vida adulta nas etnias Guarani-Kaiowá e Terena; c) verificar as características e vivências do jovem indígena nas referidas etnias; d) verificar o impacto da aproximação da sociedade não indígena no jovem indígena das etnias pesquisadas e, por fim, e) analisar os aspectos de identidade étnica que garantem a resistência enquanto sujeitos pertencentes a um grupo. Considerando os aspectos apresentados na pesquisa e tendo em vista os objetivos propostos, optou-se pela escolha do método qualitativo para o desenvolvimento e análise dos dados evidenciados na pesquisa. O trabalho de campo ocorreu com base em entrevistas semiestruturadas realizadas com jovens, pais, lideranças e professores das etnias selecionadas, na comunidade Bororó das terras indígenas de Dourados-MS, bem como na comunidade Bananal das terras indígenas de Taunay, no município de Aquidauana-MS. Para discutir e compreender o indígena jovem, recorreu-se aos estudos de González Rey (2007, 2010, 2012, 2015, 2016, 2017) acerca da subjetividade e da cultura, como também dos pressupostos teóricos de Cunha (2017), que atesta a identidade étnica como resultado do sentimento de pertencimento a um grupo. Aponta-se como resultado que a constituição do jovem índio se dá pelo sentimento de pertencimento ao grupo e pelos aprendizados dispostos pela família, muito mais do que pelas influências externas da sociedade de não-indígenas. E ainda: quando não há o sentimento de pertencimento nem ressignificação em relação a ser índio, ocorrem processos de adoecimento psíquico que podem levar os indivíduos das etnias pesquisadas ao uso de álcool e drogas ilícitas.


    Palavras-Chave: Jovem Indígena. Subjetividade. Cultura.

  • Data da Defesa: 28/02/2018
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+ SAÚDE, QUALIDADE DE VIDA E CAPACIDADE PARA O TRABALHO DO PEÃO PANTANEIRO DA REGIÃO DE AQUIDAUANA, MATO GROSSO DO SUL, BRASIL
  • Discente:
    • EDUARDO ESPINDOLA FONTOURA JÚNIOR
  • Orientador(a):
    • Liliana Andolpho Magalhães Guimarães
  • Resumo:

    Trabalhador que lida com o gado, o peão pantaneiro exerce, no pantanal brasileiro, uma das profissões mais perigosas do mundo. Pelo seu estilo de trabalho, esse profissional está exposto a diversos riscos em sua saúde, inclusive de acidentes, que se agravam pelas condições climáticas e longas distâncias. Este estudo teve como objetivo investigar aspectos da saúde física e mental, qualidade de vida relacionada à saúde e capacidade para o trabalho de peões pantaneiros, em seis fazendas do município de Aquidauana, Mato Grosso do Sul, Brasil. Esta tese foi construída em formato de artigos. O Artigo 1, Saúde, Trabalho e Doença do Peão Pantaneiro: uma Revisão Sistemática, teve por objetivo analisar os processos de saúde- trabalho-doença do peão pantaneiro, identificando seus fatores de risco. Para tanto, realizou-se uma revisão sistemática da literatura, com buscas em algumas bases de dados: Bireme, Lilacs, SciELO, Medline, PubMed, PePSIC, Portal de Periódicos e Banco de Teses da CAPES, Banco de Teses e Dissertações da Universidade Estadual de Campinas, Universidade de São Paulo, Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande, MS, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e Google Acadêmico, cobrindo os anos de 2006 a 2016, obtendo-se 27 estudos, 18 artigos, 2 teses, 5 dissertações e 2 e-books. Em decorrência da constatação de fatores de risco, apontou-se, por conclusão, a necessidade de ações para proteger a saúde e a vida desses trabalhadores. O Artigo 2, Suspeição de Câncer Prostático em Peões Pantaneiros de Aquidauana, Mato Grosso do Sul, descreveu aspectos sociodemográficos, ocupacionais e de saúde do homem, verificando-se a existência de sintomas prostáticos em amostra não probabilística de n=65 peões pantaneiros. Utilizou-se o método exploratório-descritivo, de corte transversal, quantitativo, com aplicação da Ficha Clínica de Avaliação de Saúde do Homem, do International Prostate Symptom Score e do Questionário Sócio Demográfico e Ocupacional. Observou-se que 92,2% apresentaram sintomas urinários leves, em 6,2% esses sintomas mostraram-se moderados e em 1,6%, graves. Na faixa etária de 30 a 45 anos, encontrou-se a maior frequência de sintomas leves (40,6%) e moderados (6,2%). Os achados sinalizaram a necessidade imperativa de maior atenção à saúde do homem. O Artigo 3, Acidentes de Trabalho, Dor Musculoesquelética e Qualidade de Vida Relacionada à Saúde entre Peões Pantaneiros do Brasil e Ganaderos do México, caracterizou e comparou a ocorrência dos acidentes de trabalho, dor musculoesquelética e qualidade de vida dos pantaneiros do Brasil e de seus equivalentes do México. O método usado foi o exploratório-descritivo e comparativo, quantitativo, de corte transversal, aplicado aos pantaneiros do município de Aquidauana, estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, e aos ganaderos, do município de Atemajac de Brizuela, estado de Jalisco, México, com o apoio da Associación Ganadera de Lagunillas e de Tierra Blanca, locais em que foram coletados os dados. A amostra total foi constituída por n=100 trabalhadores, 50 peões pantaneiros e 50 ganaderos. Utilizaram-se, como instrumentos de coleta dos dados, o Nordic Musculoskeletal Questionnaire, o Questionário de Acidentes de Trabalho em Ambiente Rural, o Questionário Sócio Demográfico e Ocupacional e o The Medical Outcomes Study 36-Item Short Form Health Survey, em versão para o português e para o espanhol. Dos participantes, 84,0% brasileiros (Br) e 90,0% mexicanos (Mx) sofreram algum tipo de acidente; a presença de dor lombar foi identificada em 48,0% Br e 28,0% Mx e a dor nos joelhos, em 36,0% Br e 42,0%, Mx. Tanto os trabalhadores brasileiros como os mexicanos obtiveram em qualidade de vida e no domínio aspectos emocionais o melhor escore (90,6), contrastando com o pior deles, a dor (19,4, Br; 13,8, Mx). Os achados mostraram uma suscetibilidade a acidentes, dor e enfermidades que se refletem na saúde e qualidade de vida. Por fim, o Artigo 4, Saúde, Qualidade de Vida e Capacidade para o Trabalho do Peão Pantaneiro da Região de Aquidauana, Mato Grosso do Sul, Brasil, investigou aspectos da saúde física e mental, qualidade de vida relacionada à saúde e a capacidade para o trabalho do peão pantaneiro por meio de um estudo exploratório-descritivo, de corte transversal e quantitativo. Foram utilizados os seguintes instrumentos: a Ficha Clínica de Avaliação de Saúde do Homem, o Índice de Capacidade para o Trabalho, o Questionário Sócio Demográfico e Ocupacional e o The Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey. Pode-se afirmar que a Qualidade de Vida Relacionada à Saúde dos peões pantaneiros mostrou-se satisfatória, com uma média total de 84,7. Quanto ao Índice de Capacidade para o Trabalho, os resultados demonstraram que 78,5% apresentaram uma capacidade para o trabalho moderada (média=32,5); em 47,7% dos participantes a pressão arterial apresentou-se alterada, sendo, a maioria, pressão alta (40,0%); em relação ao índice de massa corporal, 28,1% estavam com sobrepeso e 3,1% com obesidade grau I e glicemia capilar pós-prandial 14,3% acima do normal. Dos participantes, 86,1% relataram algum tipo de lesão e/ou doença diagnosticada (29,2%) e 56,9% relataram lesões musculoesqueléticas. Acredita-se que os resultados obtidos possam contribuir para dar visibilidade à situação de saúde, qualidade de vida e capacidade para o trabalho do homem pantaneiro e também do ganadero, permitindo ações que visem ao restabelecimento desses aspectos.

     

  • Data da Defesa: 28/02/2018
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+ MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS E AS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE NO BRASIL
  • Discente:
    • Flaviany Aparecida Piccoli Fontoura
  • Orientador(a):
    • Luciane Pinho de Almeida
  • Resumo:

    Na atualidade a migração internacional adquiriu destaque mundial e se inscreve em diversas conjunturas, como elemento de formação econômica e social. O Brasil está inserido na dialética desta realidade, tornando relevante o debate acerca da garantia de acesso às políticas públicas de saúde à população migrante no país, compreendida como um processo complexo e contraditório de regulação entre o instituído legalmente e a materialidade concreta existente. A Tese é composta de uma pesquisa qualitativa, alicerçada teoricamente no materialismo histórico dialético, e objetivou conhecer, descrever, explicar, interpretar e compreender o processo migratório internacional e a efetividade das políticas públicas de saúde na realidade do acesso dos migrantes nas práticas assistenciais dos serviços de saúde no Brasil. Os dados foram coletados por meio da entrevista semiestruturada, a partir de discursos empreendidos por representantes de instituições (Organizações Não Governamentais) e entidades brasileiras que trabalham, pesquisam e estudam a temática das migrações e suas diversas vertentes. Os resultados obtidos revelaram que as questões relacionadas à saúde, no contexto migratório, compreende um dos mais importantes indicadores para uma análise das condições de vida e de inserção social nas sociedades receptoras. Há necessidade de posicionamento efetivo do Estado no tratamento das contradições da legitimação das políticas públicas de saúde e da política migratória, a fim de possibilitar que os migrantes sejam inseridos nos sistemas legais do país, assegurando o mínimo existencial observado no sistema internacional dos direitos humanos e adote estratégias e ações que venham a dirimir as graves barreiras enfrentadas no campo da saúde, hoje desenvolvida e orientada pela sociedade civil. Concluiu-se que o ser migrante, ao adentrar terras brasileiras, vislumbra a esperança da segurança e da prosperidade; portanto faz-se essencial torná-lo protagonista da sua própria existência, sujeito consciente de suas obrigações e de seus direitos, livre de discriminação ou qualquer impedimento de acesso à cidadania plena. Neste âmbito, perscrutar a questão migratória é pertinente e capaz de fornecer elementos que impulsionam de maneira assertiva uma política pública de saúde sensível, inclusiva e promotora dos direitos, identificando as peculiaridades deste grupo de usuários, a fim de ofertar atendimento digno e resolutivo aos migrantes que sonham, vivem e tanto contribuem para o fortalecimento da multiculturalidade e para o desenvolvimento do país.
    Palavras-chave: Migração Internacional. Política Pública. Saúde. ONGs.

  • Data da Defesa: 26/02/2018
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+ A PRODUÇÃO DAS IDENTIDADES/DIFERENÇAS PELA PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA EM RONDÔNIA
  • Discente:
    • ALBERTO DIAS VALADÃO
  • Orientador(a):
    • José Licínio Backes
  • Resumo:

    Esta tese está vinculada a Linha de Pesquisa Políticas Públicas, Cultura e Produções Sociais do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UCDB. Mesmo tendo uma relação com a educação, tratou-se de uma pesquisa no campo da Psicologia. A pesquisa teve como objetivo geral identificar e analisar como são produzidas e negociadas as identidades/diferenças de jovens do campo no espaço educativo fundado na Formação em Alternância em Rondônia; como objetivos específicos, procurou identificar e analisar as representações da prática educativa na Pedagogia da Alternância que dominam as identificações e contribuem na construção das identidades e diferenças dos sujeitos do CEFFA de Ji-Paraná, problematizando
    como as identidades e diferenças são negociadas nos espaços (tempo escola - tempo comunidade) da Escola. O trabalho inspira-se nos Estudos Culturais pós-estruturalistas, principalmente nas ideias de Hall (1997, 2011, 2012, 2013, 2016), Giroux (2013), Bauman (2001, 2005, 2011), Silva (2003, 2010, 2012, 2013) e Woodward (2012), dentre outros que transitam por esse campo teórico e concebem as identidades como contingentes, marcadas pela diferença. Para compreender as identidades e diferenças produzidas pela Pedagogia da Alternância, fez-se uso da narrativa de minhas experiências, da entrevista com alunos e monitores, da observação dos alunos, monitores e de sua inter-relação com os outros sujeitos e o ambiente acadêmico onde estão inseridos, além da análise dos instrumentos (documentos) da Pedagogia da Alternância com os quais alunos e monitores se inter-relacionam. A descrição do estudo mostra que, ao assumir como referência a cultura, que, como prática de significação, é constitutiva das identidades e diferenças dos sujeitos a partir de seus diferentes significados e práticas sociais, a Pedagogia da Alternância produz sujeitos vacilantes, hesitantes, cujos sentidos, constituídos por meio das práticas sociais, se movem em diferentes direções, produzindo perspectivas identitárias que se cruzam e se deslocam, tornando o processo de produção das identidades e diferenças provisório, variável, fragmentado, indeciso, o que resulta em identidades vigiadas, subjugadas, conformadas, mas também identidades em conflito, ambivalentes. As identidades produzidas no espaço educativo do CEFFA são desestabilizadas pelas diferenças, entrelaçadas por inúmeras práticas culturais e, por isso mesmo, descontínuas, descentradas, fragmentadas, relacionais. Conclui-se que a Pedagogia da Alternância, tendo em vista sua ambivalência, produz identidades e diferenças sempre em movimento, de acordo com o momento e conforme o modo como é acionada. 

    Palavras-chave: Cultura. Processos Sociais. Pedagogia da Alternância. Identidades.
    Diferenças.

  • Data da Defesa: 19/02/2018
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+ RELAÇÕES ENTRE ESTRESSE OCUPACIONAL E CULTURA ORGANIZACIONAL EM UMA UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, BRASIL
  • Discente:
    • MÁRCIA REGINA TEIXEIRA MINARI
  • Orientador(a):
    • Liliana Andolpho Magalhães Guimarães
  • Resumo:

    A influência do trabalho na vida e identidade dos indivíduos, organizações e sociedade tem sido constante objeto de estudo de pesquisadores. No campo empírico da saúde mental e trabalho, esta tese objetivou investigar o estresse ocupacional (EO) e a cultura organizacional (CO) e suas possíveis relações no contexto universitário. Realizou-se uma pesquisa de caráter exploratório-descritivo, de abordagem predominantemente quantitativa e de corte transversal em uma amostra aleatória simples de n=302 servidores técnico-administrativos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil. Este trabalho situa-se no campo teórico da Psicologia da Saúde Ocupacional e utiliza o modelo teórico-metodológico do Work Stress. Esta tese está composta em formato de artigos. O primeiro artigo traz uma revisão sistemática da literatura sobre o EO em funcionários administrativos de universidades, sendo selecionados 11 estudos realizados em diferentes países e que constataram diversos fatores de risco psicossociais no trabalho (FRPT). O segundo artigo verificou o EO, por meio do modelo teórico desequilíbrio entre esforço/recompensa no trabalho (Effort-Reward Imbalance - ERI), identificou entre os servidores técnico-administrativos, os grupos de risco mais expostos ao ERI: servidores na faixa etária entre 20 e 30 anos, sem filhos, com pós-graduação, com afastamento por doença nos últimos 12 meses e que se percebem esgotados no trabalho. O terceiro artigo aprofundou a análise do EO, por meio das percepções dos servidores a respeito dos fatores de risco e de proteção psicossociais no ambiente de trabalho. Os três principais FRPT encontrados estiveram relacionados: a ambientes e equipamentos no trabalho inadequados, falta de apoio nas relações entre os pares e/ou superiores e valores de rigidez na estrutura hierárquica do poder. Já os três principais fatores de proteção psicossociais destacados foram: desenvolvimento na carreira (e.g. estabilidade no serviço, benefícios), relações interpessoais no trabalho (quando sadias) e papel na organização (e.g. trabalho desafiador e com autonomia). O quarto artigo avaliou a CO, por meio do Instrumento Brasileiro para Avaliação da Cultura Organizacional (IBACO) e questão aberta, que identificou entre as principais práticas e valores da CO, fatores que por um lado valorizaram a execução do trabalho realizado com eficiência, dedicação e ética, e por outro, práticas que tenderam a ser autoritárias, permeadas por pressão política, apadrinhamento e excessos de burocracia. O quinto artigo procurou identificar as relações possíveis entre a CO e o modelo ERI, sendo encontrado, por meio de análise de regressão logística, importante predição da CO (42,9%) no desequilíbrio entre esforço/recompensa no trabalho. Espera-se que os resultados desta tese possam contribuir para a construção de programas que contemplem ações que levem em conta aspectos do trabalhador e da organização em sua especificidade, valorizando, sobretudo, a promoção, a proteção e a prevenção da saúde mental no trabalho. 

    Palavras-Chave: Universidades, Estresse psicológico, Cultura organizacional, Pessoal administrativo, Saúde mental.

  • Data da Defesa: 06/02/2018
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+ USO DOS ESPAÇOS E USO DOS AFETOS: CARTOGRAFIA DA PRÁTICA DA PICHAÇÃO PARA PENSAR AS RELAÇÕES ENTRE A CIDADE E A GOVERNAMENTALIDADE
  • Discente:
    • Jeferson Camargo Taborda
  • Orientador(a):
    • Anita Guazzelli Bernardes
  • Resumo:

    Esta pesquisa traça uma cartografia de notícias e comentários sobre pichações para discutir algumas relações entre a cidade e governamentalidade. Ancorada nos referenciais pós-estruturalistas tanto de Deleuze e Guattari quanto de Foucault, ela se encontra disposta rizomaticamente na forma de um jornal onde os cadernos são as entradas possíveis de leitura. O uso dos espaços físicos pela pichação e o uso dos espaços virtuais dos comentários indicam uma discursividade grotesca atravessando a cidade. As notícias foram escolhidas segundo a intensidade dos comentários ali deixados, pois indicam um certo afetamento tanto em relação à cidade quanto no que se refere ao governo de si e do outro. Além das notícias, diversos outros elementos do campo da arte, tais como canções de rap, fotografias, figuras e textos literários, são utilizados como intercessores para ajudar a compor uma espécie de mapa afetivo sobre a cidade. Para tanto, a cartografia é aproximada da noção de uso de Certeau e das discussões de Sennett sobre a transformação dos espaços de uso em espaços de passagens e sem vida. Estas cartografias traçadas buscam problematizar como os usos dos espaços e o uso dos afetos constituem alguns processos de subjetivação na vida urbana atual.
    Palavras-chave: cartografia; pichação; cidade; processos de subjetivação.

  • Data da Defesa: 04/12/2017
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+ PROBLEMATIZANDO O ACESSO ÀS POLÍTICAS SOCIAIS NO CAMPO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
  • Discente:
    • Suzanir Fernanda Maia
  • Orientador(a):
    • Anita Guazzelli Bernardes
  • Resumo:

    As Políticas Sociais, cada vez mais, intensificam os modos de regulação da vida de seus demandatários/beneficiários/usuários. Todos estes termos conceituam aquele que tem acesso a uma determinada Política Pública. Nos discursos sobre as Políticas Sociais, acesso e inclusão aparecem como sinônimos ou em uma relação de dependência estabelecida, logo, quem tem acesso está incluído. A partir de algumas problematizações sobre as Políticas Sociais, de modo particular, as Políticas de Assistência Social e Educação Superior, pretendo fissurar a relação entre acesso e inclusão. A pergunta que movimenta o pensamento e que emerge na urgência deste presente que pretendo pesquisar é: “Como se constituem os modos de acesso às Políticas Sociais (1988-2017)?”. Esta tese tem como objetivo geral problematizar, a partir da análise da articulação entre Política Social e acesso à renda e à Educação Superior, diferentes modalidades de Inclusão Social. Os objetivos específicos compreendem: a) mapear a forma como os modos de acesso às Políticas Sociais constituem modos de governamentalidade e subjetivação; b) estudar o que os modos de acesso às Políticas Sociais produzem como regimes de verdade e subjetividades na contemporaneidade em relação às diferenças entre acesso à renda e ao Ensino superior; c) aprofundar o entendimento de como a governamentalidade e o governo de si se relacionam na produção de modos de acesso e condução de condutas nas Políticas Sociais. Meu cenário é a Assistência Social e a Educação Superior no Brasil, de modo particular, aquela que se organiza a partir das disposições da Constituição Federal de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996). Utilizo o filme Zootopia: esta cidade é o bicho! como disparador para problematizar as Políticas Sociais. O percurso metodológico adotado inscreve-se em um exercício cartográfico, em que se dá o encontro com os conceitos teóricos e os materiais utilizados, que se cruzam e permitem as problematizações que apresento no decorrer desta pesquisa. A tese está dividida em três capítulos, organizados a partir da estrutura do desenho animado citado anteriormente. Antes de iniciar cada capítulo, apresento uma síntese do desenho, descrevendo-o em três partes, considerando a trajetória da personagem para alcançar o sonho de ser policial e a organização das Políticas de Acesso à Educação Superior, articuladas à Razão de Estado e à Razão de Mercado. Com essa organização, pretendo defender a seguinte tese: a partir da problematização dos modos de acesso às Políticas Sociais mediante a articulação entre Ensino Superior e Inclusão Social, considera-se que a Inclusão Social é um dispositivo de governo da população no qual estão em jogo Razão de Estado e Razão de Mercado.
    Palavras-chave: Acesso. Inclusão. Políticas Sociais. Governamentalidade. 

  • Data da Defesa: 28/11/2017
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+ SANDOR FERENZI: O PRIMEIRO PSICANALISTA
  • Discente:
    • JACIR ALFONSO ZANATTA
  • Orientador(a):
    • Márcio Luís Costa
  • Resumo:

    Visitar a produção clínico-teórica de Ferenczi, buscando mostrar sua importância para a clínica contemporânea é o objetivo principal desta tese. Um pensador original, pioneiro e o primeiro psicanalista, depois de Freud, a utilizar a clínica como base para a construção de um corpo teórico. Afeto, sensibilidade e cuidado integram sua clínica do sensível que colocam o paciente em primeiro lugar. Com isso, ele busca adaptar a clínica a cada um de seus pacientes e não os pacientes a um modelo clínico fechado e pré-estabelecido. Com isso, ele faz um deslocamento ético que deixa de ser um código fechado para servir como
    fonte de inspiração para novas práticas. Este é um modelo que valoriza a singularidade de cada ser humano. Esta tese está composta em formato de artigos. O Artigo 01, intitulado “A pesquisa bibliográfica como caminho para a produção do conhecimento científico em Psicologia” discute o processo de construção do conhecimento científico por meio da pesquisa bibliográfica. Numa pesquisa bibliográfica, limites e possibilidades de compreensão, construídos socialmente andam de mãos dadas e exigem do pesquisador superação constante. Neste sentido, é importante observar que o conhecimento emerge do mundo onde as pessoas se encontram e interagem, do mundo em que os interesses humanos, as necessidades e os desejos encontram expressão, satisfação ou frustração. O Artigo 02 leva o título de “A construção de uma clínica dos afetos voltada para o ‘sentir com’ ferencziano”. Esta é uma reflexão que busca mostrar o que se revela e se oculta sobre os afetos na obra de Ferenczi. Sua forma de ser e de se preocupar com seus pacientes, seu tato analítico e a valorização do ‘sentir com’ mostram um ser humano que fazia de cada encontro clínico um momento único. Para que haja cura, é preciso ‘sentir com’ os pacientes e neste processo se faz necessário mobilizar os afetos. Para ele, afeto e ética estão tão interligados que, o afeto é um pressuposto ético na sua forma de fazer e produzir a clínica. O artigo 03, intitulado “Alicerces para a construção de uma clínica do sensível em Ferenczi” busca mostrar que sua proposta clínica se baseia no acolhimento e não na autoridade. Sua forma de ser e de se preocupar com seus pacientes, seu tato analítico e a valorização do outro mostram um ser humano que fazia de cada encontro clínico um momento único. Afeto e sensibilidade são, no entender de Ferenczi, as bases de uma ética do cuidado voltada para a cura. No artigo 04, intitulado “Ferenczi: o primeiro psicanalista” defendemos a tese que vinha sendo apontada nos textos anteriores que colocam Ferenczi como o primeiro psicanalista da história da Psicanálise. Ao utilizar a clínica como base da criação teórica, compreende que é o paciente que levanta as questões que fazem o campo teórico evoluir. Ferenczi é o primeiro analista que olha a histeria pelo ângulo do narcisismo. Sua originalidade e sua criatividade clínica o colocam como um pensador original. Defensor de uma abertura mental do analista aos seus próprios sentimentos é capaz de renunciar às regras que engessam a clínica.

    Palavras-chave: Ferenczi; Afeto; Sensibilidade; Cuidado; Primeiro Psicanalista.

  • Data da Defesa: 31/08/2017
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+ POLÍTICAS DE NORMALIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO ESCOLAR
  • Discente:
    • CLAUDIA REGINA DA SILVA DOURADO
  • Orientador(a):
    • Anita Guazzelli Bernardes
  • Resumo:

    Esta tese focaliza a temática das políticas de normalização na Educação no Brasil, a partir de uma análise dos devires e direções nas macropolíticas educacionais e da criação na multiplicidade. A análise é feita por um processo metodológico rizomático. Desta maneira, busca-se não produzir uma teoria geral ou universal das políticas de normalização, mas uma problematização que se apoia numa concepção epistemológica positiva do real, dos acontecimentos. Em suma, seria um modo de pensar as coisas, a realidade, com a Ontologia do Presente. Portanto, nesta tese faz-se uso de ferramentas conceituais dos filósofos Gilles Deleuze, Félix Guattari e Michel Foucault, num interrogar constante de toda relação causal dos acontecimentos macropolíticos educacionais. Esse percurso torna possível descrever e discutir alguns encontros que atravessam os territórios educacionais da Educação e Cidadania e Educação e o Pleno desenvolvimento. Compreende-se que tais encontros não só tornam-se possíveis de serem considerados mediante uma superfície plana, com seus agenciamentos e dispositivos de poderes, mas também a partir dos movimentos de reterritorialização e desterritorialização, que constituem a máquina abstrata educacional e suas macropolíticas. Nesse sentido, mostra-se que a Educação e suas macropolíticas tornam-se estratégias de subjetivação da condição de cidadania: ações de governamentalidade de uma sociedade democrática e ações de governo de condutas. 

    Palavras-chave: Políticas de normalização; Rizoma; Educação Escolar; Macropolíticas
    Educacionais.

  • Data da Defesa: 28/08/2017
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+ FATORES DE RISCOS PSICOSSOCIAIS EM PROFESSORES DE ESCOLAS PANTANEIRAS: RELAÇÕES COM TRANSTORNOS MENTAIS COMUNS E ESTRESSE OCUPACIONAL
  • Discente:
    • Helen Paola Vieira
  • Orientador(a):
    • Liliana Andolpho Magalhães Guimarães
  • Resumo:

    O trabalho do professor na contemporaneidade é uma das atividades mais estressantes, podendo trazer consequências deletérias para a saúde física e mental desse profissional. A literatura nacional e internacional existente não apresenta estudos com os professores pantaneiros na área da saúde mental. Este estudo se propõe a investigar os Fatores de Riscos Psicossociais (FRP), os Transtornos Mentais Comuns (TMC) e o Estresse Ocupacional (EO) em 26 professores (população) das escolas do Pantanal, do município de Aquidauana, estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. Esta tese está composta em formato de artigos. O objetivo principal do Artigo 1, intitulado “Percepção de Professores de Escolas Pantaneiras sobre o Trabalho Docente”, foi conhecer a realidade destas escolas, por meio da percepção dos professores que nelas atuam. Para tanto, foi realizado um estudo exploratório-descritivo, no período de 2015 a 2016, utilizando-se o método misto (qualitativo-quantitativo), em que foram entrevistados seis professores. Concluiu-se que a principal percepção dos professores é a de abandono pelos diferentes órgãos em diferentes instâncias. O Artigo 2, também um estudo exploratório-descritivo, de corte transversal, teve como título “Fatores de Risco Psicossociais em Professores de Escolas Pantaneiras”. Utilizou-se o método quantitativo e o estudo procurou identificar quais os FRP a que estão expostos os professores de escolas pantaneiras. Para atingir esse objetivo, utilizou-se a versão longa do Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ) que avalia os Fatores de Riscos Psicossociais (FRP) e um Questionário Sociodemográfico e Ocupacional (QSDO). Os principais riscos psicossociais para a saúde dos professores foram: exigências quantitativas, ritmo de trabalho, falta de influência no trabalho, problemas relacionados ao sono, extenuação, estresse psíquico, somático e cognitivo, sintomas depressivos e problemas no relacionamento interpessoal. O Artigo 3, denominado “Estresse Ocupacional e Transtornos Mentais Comuns em Professores do Pantanal, Brasil”, é um estudo exploratório-descritivo, que empregou o método quantitativo. Foram utilizados a Job Stress Scale (JSS), para avaliar o tipo de experiência do indivíduo em relação ao seu trabalho e o quanto essa experiência o expõe ao risco de estresse ocupacional e o Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20) para investigar a suspeição para transtornos mentais comuns. O tipo de trabalho característico dessa população foi o de alta exigência, ou seja, alta demanda e baixo controle e a prevalência de transtornos mentais obtida foi de 15,4%. Os trabalhadores expostos a esse tipo de trabalho, de forma continuada, apresentam sintomas somáticos, humor depressivo/ansioso, decréscimo de energia vital e pensamentos depressivos. O Artigo 4, “Fatores de Riscos Psicossociais, Transtornos Mentais Comuns e Estresse Ocupacional em Professores de Escolas Pantaneiras”, é um estudo quantitativo que analisa a saúde mental dos professores pantaneiros partindo dos resultados obtidos com a aplicação dos instrumentos COPSOQ, JSS e o SRQ-20. Os resultados sugerem que quatro subescalas do Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ) - problemas de comportamento interpessoal, estresse somático, problemas de sono e saúde geral - contribuem diretamente para a ocorrência de Transtorno Mental Comum (TMC) nesta população com trabalho de alta exigência predominantemente, e que apresenta resultados superiores em 17 subescalas do COPSOQ.

    Palavras-chave: Fatores de Risco, Transtornos Mentais, Estresse Ocupacional, Professores, Pantanal.

  • Data da Defesa: 23/05/2017
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+ DECLÍNIO DO PROJETO ORGANIZACIONAL UFN III: EXPLORANDO O SIGNIFICADO DA EXPERIÊNCIA ENTRE OS ATORES
  • Discente:
    • Eveli Freire de Vasconcelos
  • Orientador(a):
    • Márcio Luís Costa
  • Resumo:

    Esta pesquisa teve como objetivo descrever as significações desenvolvidas por profissionais diante da experiência de trabalho na construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III — projeto organizacional UFN III. A implantação teve início em maio de 2012 e chegou a ter 5.000 trabalhadores envolvidos, dos mais diferentes níveis de atuação e também com diferentes vínculos — existiam funcionários contratados tanto pelo consórcio entre Galvão, Sinopec e GDK quanto por essas empresas de forma independente. No entanto, por meados de junho de 2013, a limitação de recursos financeiros começou a ocorrer e, assim, houve atraso nos pagamentos, ocasionando manifestações, greves, demissões e desligamentos, com graves consequências para a cidade de Três Lagoas (MS), atingindo de forma especial os fornecedores. Em dezembro de 2014, houve a paralisação do projeto já com 82% da obra concluída, somada ao posicionamento da Petrobras de não mais aditivar o contrato que havia sido assinado entre esta e o referido consórcio, no total de R$3,1 bilhões — valor que, depois, mostrou-se superior por conta dos 21 aditivos. Sendo assim, este estudo buscou a caracterização do processo de experiência, com o mapeamento dos elementos constituintes do esquema cognitivo dos trabalhadores sobre o fenômeno de declínio organizacional e a análise da relação entre a experiência e o posicionamento dos atores frente à reinserção no mercado de trabalho. Nesse sentido, foi realizada uma pesquisa documental para caracterização do empreendimento. De janeiro a março de 2016, foram contatados 62 ex-funcionários e entrevistados 6 trabalhadores (de cargos distintos, sendo 5 deles vinculados ao consórcio e 1 à Galvão — empresa líder do consórcio), o que permitiu a construção de estudos de casos com procedimentos qualitativos de coleta e análise de dados. As seis entrevistas foram semiestruturadas e feitas com um gestor, um coordenador de qualidade, um técnico de documentação, um auxiliar de engenharia, um carpinteiro e um ajudante. Os participantes foram contatados por e-mail e pela rede social Facebook. As entrevistas ocorreram presencialmente, por chat do Facebook ou por WhatsApp. Como referencial teórico, utilizouse a teoria do Esquema Cognitivo. Nos resultados, foram organizadas primeiro as ideias centrais do conteúdo dos relatos em um esquema gráfico do processo de experiência e em mapas cognitivos de cada um dos participantes que representam o esquema do declínio organizacional. Em seguida, foi elaborado um mapa coletivo dos impactos do declínio, assim como mapas coletivos de cada uma das etapas da experiência no projeto, articulando os conteúdos mais significativos em uma matriz que evidencia os focos e as bases da percepção do grupo. Foi possível, então, identificar que os esquemas explorados se mostraram úteis para a compreensão do significado da experiência em uma organização que entrou em declínio e para reconhecer como está a situação no pós-declínio. As conclusões do estudo evidenciam que o declínio organizacional ainda é um fenômeno muito pouco explorado, especialmente tendo o indivíduo como unidade de análise. Os relatos revelam que o insucesso (declínio) do projeto organizacional vai além da dimensão financeira e integra questões políticas, sociais e morais, relacionando o fenômeno predominantemente aos fatores macroambientais. Além disso, a inércia para a mudança relatada se justifica pela crença de que nada poderia obstruir uma obra da qual a Petrobras fosse a executora. Por fim, esta pesquisa oferece dados para uma melhor compreensão do significado acerca da experiência dos atores, desde o pré-ingresso e o ingresso no projeto organizacional UFN III até seu posicionamento frente à necessidade de reinserção no mercado de trabalho.

    Palavras-chave: declínio organizacional, UFN III, trabalhadores, significado da experiência,
    estudo de casos.

  • Data da Defesa: 20/12/2016
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